A gestora do Hospital Albert Einstein, Olga Farah, destacou a ousadia e a capacidade de inovação da gestão municipal de Maceió durante cerimônia que renovou a parceria para o Hospital da Cidade. O evento, realizado nesta quarta-feira, consolidou o compromisso de manter o equipamento público operando integralmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS), modelo que transformou uma unidade privada de alto padrão em referência de atendimento gratuito à população.
Em seu discurso, Olga Farah recordou o desafio proposto pelo prefeito de Maceió, JHC, de converter uma estrutura originalmente concebida para o setor privado em um hospital 100% público. “Foi uma demonstração de coragem e visão de futuro. Poucas cidades no Brasil teriam a ousadia de transformar um equipamento de alto padrão em algo tão acessível e necessário para a população”, afirmou a gestora, que também ressaltou a eficiência operacional alcançada pela parceria.
A renovação do convênio ocorre em um contexto de ampliação dos investimentos em saúde pública em Alagoas. O Hospital da Cidade, gerido em parceria com o Einstein, já realizou mais de 150 mil atendimentos desde sua inauguração, consolidando-se como um dos principais polos de assistência de média e alta complexidade da região. A unidade oferece serviços como cirurgias gerais, ortopedia, cardiologia e exames de imagem, todos custeados pelo SUS.
Panorama político e impacto social
A cerimônia contou com a presença de representantes do governo estadual, vereadores e lideranças comunitárias, que destacaram o modelo de gestão compartilhada como exemplo para outras cidades brasileiras. O secretário municipal de Saúde, Joãozinho Pereira, enfatizou que a parceria com o Einstein permitiu reduzir filas de espera por cirurgias eletivas em 40% nos últimos dois anos. “Estamos mostrando que é possível aliar excelência técnica com gestão pública eficiente”, declarou.
Especialistas em políticas públicas apontam que a iniciativa de Maceió se insere em um movimento nacional de descentralização e qualificação da saúde pública, onde parcerias com instituições de renome, como o Einstein, têm sido usadas para superar gargalos históricos. No entanto, alertam para a necessidade de transparência nos contratos e de garantia de que o foco permaneça no atendimento universal, sem desvios para interesses privados.
A renovação do convênio também ocorre em meio a debates sobre o financiamento do SUS, que enfrenta cortes orçamentários em nível federal. Em Maceió, a prefeitura assegurou que os recursos para o Hospital da Cidade estão garantidos até 2026, com previsão de ampliação do número de leitos e de serviços ambulatoriais. A expectativa é que a unidade atenda até 20 mil pacientes por mês, consolidando-se como referência no Norte e Nordeste.
Para a população, o impacto é direto. Moradores de bairros periféricos, como Benedito Bentes e Jacintinho, relataram redução no tempo de espera por consultas e cirurgias. “Antes, eu esperava seis meses por uma cirurgia de vesícula. Agora, em dois meses já estava operado”, contou o aposentado José Carlos da Silva, de 62 anos, que foi atendido na unidade. A renovação da parceria, portanto, não apenas mantém um serviço essencial, mas também reforça a aposta em um modelo que pode inspirar outras gestões municipais a buscarem soluções inovadoras para a saúde pública.
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