PEC da autonomia do Banco Central racha servidores e mobiliza até Luana Piovani

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que amplia a autonomia financeira, orçamentária e administrativa do Banco Central (BC) provocou um racha entre os servidores da autarquia. De um lado, parte dos funcionários e aposentados é contrária ao texto, enquanto os favoráveis se organizam em associação para apoiar as mudanças. A disputa ganhou contornos inusitados ao envolver até a atriz Luana Piovani em uma campanha de mobilização.

A PEC, que tramita no Senado, prevê que o BC tenha maior independência para gerir seu próprio orçamento e recursos humanos, sem necessidade de autorização prévia do Ministério da Economia. Os defensores argumentam que a medida moderniza a gestão e fortalece a credibilidade da política monetária. Já os críticos temem perda de controle social e enfraquecimento de direitos trabalhistas.

Racha entre servidores

O Sindicato Nacional dos Funcionários do Banco Central (Sinal) se posicionou contra a PEC, alegando que ela pode abrir caminho para terceirizações e precarização do serviço público. Em nota, a entidade afirma que a proposta “fere o princípio da unidade orçamentária e pode comprometer a transparência”. Por outro lado, a Associação Nacional dos Gestores do Banco Central (AngBC) defende a aprovação, argumentando que a autonomia é “essencial para a eficiência e a independência técnica da instituição”.

A divisão se reflete também entre aposentados. Um grupo de ex-servidores lançou um abaixo-assinado contra a PEC, enquanto outro, favorável, organiza eventos de apoio. A polêmica chegou a mobilizar a atriz Luana Piovani, que gravou um vídeo para as redes sociais em apoio à causa dos servidores contrários à proposta, ampliando o alcance do debate.

Panorama político

A PEC da autonomia do BC é uma das prioridades da agenda econômica do governo, que busca sinalizar ao mercado compromisso com a estabilidade fiscal e monetária. No entanto, o texto enfrenta resistências no Congresso, especialmente entre parlamentares de partidos de esquerda, que veem na medida um risco de “privatização branca” da autarquia. O relator da proposta no Senado, senador Plínio Valério (PSDB-AM), tenta construir um acordo para votação ainda neste semestre.

Enquanto isso, a divisão entre os servidores do BC expõe as tensões internas de uma instituição que, nos últimos anos, ganhou crescente protagonismo na condução da política econômica. A disputa promete se intensificar à medida que a PEC avança no Legislativo, com potencial para influenciar não apenas o futuro do BC, mas também o debate sobre a autonomia de outras agências reguladoras.

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