Pesquisa Quaest no Paraná: Moro lidera com folga, mas disputa segue aberta com mais de 60% do eleitorado em aberto

A mais recente pesquisa Quaest para o Governo do Paraná, contratada pela RPC e divulgada em agosto de 2026, aponta o senador Sergio Moro (PL) na liderança isolada, com vantagem de 16 pontos percentuais sobre o segundo colocado, Requião Filho (PDT). O levantamento, realizado em meio à campanha eleitoral, indica que Moro teria 49% dos votos válidos, o que, considerando a margem de erro, poderia garantir sua eleição já no primeiro turno. O cenário, no entanto, esconde uma disputa ainda indefinida: mais de 60% dos eleitores paranaenses afirmam estar indecisos ou dispostos a mudar de voto até a eleição.

O ex-juiz da Operação Lava Jato e ex-ministro da Justiça e Segurança Pública do governo Bolsonaro, Sergio Moro, construiu sua liderança combinando a imagem de combate à corrupção com a polarização política nacional. Sua pré-candidatura ao Palácio Iguaçu, anunciada ainda em março de 2026, já era ventilada desde o fim de 2024, o que lhe deu tempo para consolidar o nome junto ao eleitorado. A pesquisa mostra que, além da vantagem numérica, Moro tem conseguido atrair eleitores de diferentes espectros políticos, embora a alta rejeição a ele também seja um fator a ser considerado.

Dificuldade de Ratinho Junior em transferir popularidade

O atual governador Ratinho Junior (PSD) enfrenta um paradoxo: sua gestão é aprovada por 68% dos paranaenses, e 65% dos entrevistados acreditam que ele merece eleger o sucessor que indicar. No entanto, essa aprovação não se reflete nas urnas. O candidato apoiado por ele, Sandro Alex (PSD), aparece em terceiro lugar nas intenções de voto, com apenas 15% das menções, 22 pontos percentuais atrás de Moro e 6 pontos atrás de Requião Filho. Especialistas ouvidos pelo g1 apontam que o atraso na definição do nome do grupo governista, que só foi anunciado em março, permitiu que Moro se consolidasse como o nome da oposição. Além disso, a desistência de Ratinho Junior de concorrer à Presidência da República, para focar na sucessão estadual, não gerou o efeito esperado de transferência de capital político.

A pesquisa também revela que a disputa está longe de ser decidida. A soma de eleitores indecisos e daqueles que afirmam poder mudar de voto ultrapassa 60% do eleitorado. Isso significa que, apesar da liderança de Moro, há espaço para reviravoltas, especialmente se os candidatos conseguirem converter a insatisfação com o cenário nacional ou explorar as fragilidades dos adversários. O cenário é particularmente desafiador para Sandro Alex, que precisa reverter a percepção de que sua candidatura é uma extensão do governo atual, em um momento em que a população demonstra cansaço com a política tradicional.

Panorama da corrida eleitoral no Paraná

Além de Moro, Requião Filho e Sandro Alex, outros nomes disputam a preferência do eleitorado, mas sem alcançar percentuais expressivos. A polarização nacional, com a figura de Moro associada ao ex-presidente Jair Bolsonaro, e a rejeição ao PT, que não lançou candidato próprio no estado, têm moldado a disputa. O grupo de Ratinho Junior, por sua vez, aposta na máquina pública e em alianças regionais para tentar reverter o quadro, mas a falta de um nome forte e a demora na definição da candidatura são apontados como erros estratégicos. A pesquisa Quaest, registrada no TSE, ouviu 1.200 eleitores entre os dias 25 e 28 de agosto, com margem de erro de 3 pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento completo está disponível no site da RPC.

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