Petrobras reduz preço do querosene de aviação em 14,2% após três meses consecutivos de alta

A Petrobras anunciou nesta quinta-feira (26) uma redução de 14,2% no preço do querosene de aviação (QAV) vendido às distribuidoras, interrompendo uma sequência de três meses consecutivos de alta. A medida, que entra em vigor a partir de 1º de julho, representa um alívio para as companhias aéreas e, potencialmente, para os consumidores finais, em um momento de forte pressão sobre o setor aéreo brasileiro. A informação foi divulgada pela estatal em comunicado oficial, sem detalhar os fatores específicos que motivaram a redução, mas analistas apontam para a queda recente nas cotações internacionais do petróleo e do QAV, além de movimentos cambiais.

A redução de 14,2% ocorre após uma escalada de preços que vinha pressionando as margens das empresas aéreas e elevando o custo das passagens. Nos últimos três meses, o QAV acumulava alta de aproximadamente 18%, segundo dados da própria Petrobras. A nova política de preços da estatal, que desde maio de 2023 adota uma estratégia de reajustes mais frequentes e baseada em paridade internacional, tem sido alvo de debates no Congresso e no governo federal. Enquanto a empresa defende a necessidade de alinhamento com o mercado global para garantir competitividade e evitar desabastecimento, parlamentares da oposição e entidades do setor aéreo criticam os impactos sobre a inflação e o bolso do consumidor.

Impacto no setor aéreo e no consumidor

O querosene de aviação representa entre 30% e 40% dos custos operacionais das companhias aéreas, e a redução de 14,2% pode gerar uma economia significativa para o setor. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (ABEAR) estima que a medida pode reduzir em até 5% o custo total das operações, o que, em tese, poderia se refletir em passagens mais baratas. No entanto, especialistas alertam que a repassagem ao consumidor não é automática, pois depende de fatores como demanda, concorrência e estratégias comerciais de cada empresa. A ABEAR já havia solicitado ao governo federal medidas emergenciais para conter a disparada dos preços, incluindo a redução de tributos e a revisão da política de preços da Petrobras.

Panorama político e econômico

A decisão da Petrobras ocorre em um contexto de intenso debate sobre o papel da estatal na economia e a necessidade de equilibrar interesses comerciais com a proteção ao consumidor. O governo federal, por meio do Ministério de Minas e Energia, já havia sinalizado a possibilidade de prorrogar por dois meses os descontos fiscais no querosene de aviação e no biodiesel, medida que está em análise no Conselho Nacional de Política Fazendária (CONFAZ). Além disso, o Ministério da Fazenda avalia a criação de um fundo de estabilização para o QAV, com o objetivo de amortecer as oscilações de preço e dar previsibilidade ao setor. A crise no setor aéreo, agravada pela alta dos combustíveis e pela redução da oferta de voos, levou o governo a correr contra o tempo para conter os impactos sobre os consumidores e a economia como um todo.

A redução anunciada pela Petrobras também ocorre em meio a uma crise energética global, que tem pressionado os preços dos derivados de petróleo. As refinarias da estatal operam acima de 100% da capacidade nominal, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o que reflete a alta demanda interna e externa. Apesar da redução, o preço do QAV no Brasil ainda é superior ao praticado em outros países, como os Estados Unidos, o que mantém a pressão sobre o setor aéreo e a necessidade de medidas estruturais.

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