PF adia depoimento de Valdemar Costa Neto sobre esquema de R$ 119,2 milhões em emendas irregulares

Em meio à investigação sobre supostas irregularidades na destinação de emendas parlamentares, a Polícia Federal desmarcou o depoimento de Valdemar Costa Neto, presidente do PL, que estava previsto para esta segunda-feira (3). O adiamento foi solicitado pelos advogados do político, e uma nova data ainda não foi marcada. Procurada, a defesa de Valdemar afirmou que não comenta o andamento da investigação.

O caso ganhou novos contornos em julho, quando o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou a suspensão de emendas parlamentares que teriam sido indicadas irregularmente por Valdemar. Na ocasião, também foi decretada a indisponibilidade de bens do presidente do PL, até o limite de R$ 119,2 milhões, valor que corresponde ao montante das emendas sob suspeita.

Esquema clandestino na Câmara

De acordo com investigadores, funcionários da Câmara dos Deputados teriam atuado em conjunto, em um esquema clandestino, para destinar pelo menos 21 emendas parlamentares conforme o interesse de Valdemar. Essas emendas somariam R$ 119,2 milhões em recursos públicos indicados de forma irregular. A participação de Valdemar seria irregular, pois a prerrogativa de indicar emendas é exclusiva de deputados e senadores, e ele é ex-deputado federal.

Em resposta às acusações, Valdemar negou irregularidades e, em entrevista ao Estúdio i, da GloboNews, defendeu a prática de dirigentes partidários definirem o destino de emendas. Para ele, apenas o presidente e a direção do partido possuem uma “visão nacional” das necessidades da legenda, enquanto o deputado individual foca apenas em suas bases locais. Questionado se outros presidentes de partido interferem na destinação de emendas, Valdemar declarou que sim: “É lógico. A função do presidente é cuidar do partido”, alegou.

Panorama político e desdobramentos

O caso reforça o debate sobre a transparência na destinação de emendas parlamentares, tema que tem gerado atritos entre o Congresso e o STF. Em decisões recentes, a Corte tem exigido maior rastreabilidade e publicidade nas indicações, enquanto parlamentares defendem a autonomia do Legislativo. A investigação contra Valdemar, que também é alvo de outros inquéritos, ocorre em um cenário de tensão entre os Poderes, com o STF atuando para coibir práticas consideradas irregulares na aplicação de recursos públicos.

O adiamento do depoimento não interrompe as demais diligências da PF, que segue analisando documentos e oitivas de outros envolvidos. A nova data para o depoimento de Valdemar dependerá da agenda da defesa e da própria corporação. Enquanto isso, o STF mantém o bloqueio dos bens do presidente do PL, que pode recorrer da decisão.

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