A Polícia Federal (PF) apontou, em relatório que integra a nova fase da operação “Sem Desconto”, a existência de um núcleo de atuação permanente e coordenada formado por Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, pela empresária Roberta Luchsinger e pelo empresário Fernando Bittar, voltado à interlocução de interesses privados perante agentes e órgãos da Administração Pública Federal. As informações foram reveladas pela Revista Veja e confirmadas pela TV Globo.
Segundo o documento da PF, o grupo mantinha um canal direto de comunicação por meio de um grupo de WhatsApp intitulado “Musaranhos”, no qual Lulinha e Bittar eram os “Musos” e Roberta a “Musa”. O relatório destaca que Roberta atuava como ponte entre o grupo e pessoas estratégicas do setor privado e da administração pública, inclusive com suposto acesso ao Palácio do Planalto.
Mensagens revelam articulação e acesso privilegiado
Em uma das mensagens obtidas pela revista, Roberta afirma: “Sabe, fui das poucas pessoas q o Lula chamou e perguntou: escolhe onde vc quer fuçar. Ficar”. A empresária também demonstrava interesse especial no Ministério da Saúde, tendo sido marcada, segundo a publicação, uma reunião entre ela e o então secretário-executivo da pasta, Swedenberger Barbosa, após interferência de Lulinha.
Em outra troca de mensagens, Roberta diz: “Pousei. Vou lá no Berge”. Lulinha responde: “Que ótimo. Vai com tudo. Manda bjo pro Berge e fala que não fui pq vc não chamou”. Roberta completa: “Precisamos 100% do Berger”.
Projeção de ganhos milionários e contas no exterior
De acordo com a Revista Veja, a empresária projetava ganhos de R$ 100 milhões apenas em 2024. As mensagens também indicam instruções sobre pagamentos em dinheiro a diferentes destinatários, incluindo Fernando Bittar. Em uma delas, Lulinha comenta a perspectiva de lucro: “coisa boa paporra”.
A PF também destacou “interesse explícito na abertura de empresas e contas bancárias no exterior, inclusive em locais de difícil rastreamento ou cooperação internacional”.
Panorama político e desdobramentos
O caso ganha relevância em meio às movimentações políticas para as eleições de 2026, quando o ex-presidente Lula busca viabilizar a sucessão de seu governo. A revelação do relatório da PF pode impactar o cenário eleitoral, especialmente diante das investigações que miram familiares de lideranças políticas. A operação “Sem Desconto” segue em andamento, e novos desdobramentos podem surgir a partir das provas colhidas.
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