A Polícia Federal (PF) apreendeu, na última quinta-feira (26), uma suposta tromba de elefante asiático que estava exposta para venda em um antiquário localizado no Centro do Rio de Janeiro. Segundo a investigação, a peça não possuía documentação que comprovasse sua origem legal, o que configura indício de crime ambiental e tráfico de fauna silvestre. A operação, que integra os esforços da PF no combate ao comércio ilegal de espécies ameaçadas, ocorreu após denúncia anônima e mobilizou agentes da Delegacia de Repressão a Crimes contra o Meio Ambiente e Patrimônio Histórico.
A apreensão ocorre em um contexto de crescente preocupação com o tráfico internacional de partes de animais silvestres, que movimenta bilhões de dólares anualmente e coloca em risco espécies como o elefante asiático, classificado como ameaçado de extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A peça, que estava exposta em uma vitrine do antiquário, chamou a atenção dos agentes por seu tamanho e características anatômicas, que indicavam tratar-se de uma tromba de elefante jovem. O proprietário do estabelecimento, que não teve o nome divulgado, foi conduzido à delegacia para prestar depoimento e poderá responder por crimes previstos na Lei de Crimes Ambientais (Lei 9.605/98), com penas que podem chegar a até cinco anos de reclusão, além de multa.
A ação da PF no Rio de Janeiro insere-se em um panorama mais amplo de fiscalização de antiquários e lojas de objetos de colecionador, que muitas vezes funcionam como canais para a venda de itens de origem ilícita, como marfim, peles e ossos de animais protegidos. Especialistas apontam que a falta de um sistema nacional de rastreamento de peças de fauna silvestre dificulta o trabalho das autoridades e permite que comerciantes atuem na informalidade. Dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) indicam que, somente em 2025, foram apreendidas mais de 1.200 peças de fauna silvestre em operações em todo o país, um aumento de 15% em relação ao ano anterior.
O caso também reacende o debate sobre a necessidade de políticas públicas mais rigorosas para o comércio de itens de colecionador, especialmente em grandes centros urbanos como o Rio de Janeiro, onde a concentração de antiquários e galerias facilita a circulação de objetos de origem duvidosa. Organizações não governamentais, como o Fundo Mundial para a Natureza (WWF) e a Rede de Combate ao Tráfico de Animais Silvestres (RENCTAS), têm pressionado o governo federal para que sejam criados mecanismos de certificação obrigatória para peças de fauna, com exigência de documentação que comprove a origem legal e a data de extração ou coleta.
Enquanto isso, a PF segue com as investigações para determinar a procedência da tromba de elefante asiático apreendida, que será submetida a exames periciais no Instituto Nacional de Criminalística (INC). A expectativa é que os laudos possam identificar a espécie exata do animal, a idade aproximada e, eventualmente, o país de origem, o que ajudará a traçar a rota do tráfico. O antiquário onde a peça foi encontrada permanece interditado, e os agentes analisam documentos e registros de vendas para identificar outros possíveis itens ilegais no estoque.
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