A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quarta-feira (26) a sexta fase da Operação Unha e Carne, com o objetivo de desarticular uma organização criminosa suspeita de movimentar mais de R$ 7 bilhões em seis anos por meio de lavagem de dinheiro, utilizando empresas de fachada e contas bancárias em ao menos cinco estados brasileiros. A ação, que ocorre simultaneamente no Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo e Bahia, cumpre 12 mandados de busca e apreensão e três de prisão preventiva, expedidos pela 2ª Vara Criminal Federal do Rio de Janeiro. A investigação, que já dura mais de dois anos, aponta que o grupo atuava em esquemas de lavagem de dinheiro proveniente do tráfico de drogas, com ramificações no Comando Vermelho, e envolvia figuras do mundo político e empresarial, incluindo um ex-deputado estadual e um pastor.
De acordo com a PF, a organização utilizava um complexo sistema de empresas de fachada, abertas em nome de laranjas, para ocultar a origem ilícita dos recursos. As contas bancárias eram movimentadas em diferentes estados, dificultando o rastreamento. O montante de R$ 7 bilhões foi identificado a partir de análises de fluxo financeiro entre 2018 e 2024, período em que o grupo teria operado com alta sofisticação. A operação desta fase mira especificamente um núcleo responsável por gerenciar contas de fachada e realizar transações que simulavam atividades lícitas, como compra e venda de veículos e imóveis. Agentes da PF também apreenderam documentos, celulares e computadores que podem conter provas adicionais sobre a rede de lavagem.
Panorama político e conexões com o crime organizado
A Operação Unha e Carne já teve fases anteriores que revelaram ligações do esquema com o Comando Vermelho, uma das maiores facções criminosas do país. Em investigações prévias, a PF apontou que o grupo usava o sistema financeiro para lavar dinheiro do tráfico de drogas, com a participação de empresários e políticos. Na sexta fase, os alvos incluem um ex-deputado estadual do Rio de Janeiro, cujo nome não foi divulgado, e um pastor que atuava como intermediário em transações financeiras. A PF suspeita que o ex-parlamentar tenha usado sua influência para facilitar a abertura de empresas de fachada e a obtenção de contratos públicos, enquanto o pastor operava como “laranja” de alto escalão, movimentando valores milionários em contas bancárias. A operação também mira um empresário do setor de combustíveis, que já havia sido alvo de fases anteriores, e que teria fornecido recursos para campanhas políticas, conforme revelado em investigações paralelas.
O contexto político do Rio de Janeiro é marcado por escândalos de corrupção e lavagem de dinheiro que envolvem figuras do executivo e legislativo estaduais. Em 2023, a PF deflagrou a Operação Exchange, que investigou a lavagem de R$ 10 bilhões do PCC em São Paulo, e a Operação Unha e Carne já havia mirado um empresário que abasteceu a campanha do governador Cláudio Castro, além de investigar ligações com o ex-governador Sérgio Cabral e o ex-presidente da Alerj, Jorge Picciani. Em outra fase, a lista de um bicheiro conhecido como Adilsinho incluiu os nomes do deputado federal Alexandre Ramagem e do governador Cláudio Castro, embora o ex-deputado não tenha sido alvo da operação. Esses casos evidenciam a capilaridade do crime organizado no estado, que mistura tráfico, jogo ilegal e lavagem de dinheiro com a política institucional.
A PF informou que as investigações continuam e que novas fases podem ser deflagradas nos próximos meses. O montante total movimentado pelo grupo, estimado em mais de R$ 7 bilhões, coloca a operação como uma das maiores já realizadas contra a lavagem de dinheiro no país, com impacto direto na economia formal e no sistema financeiro. A ação desta quarta-feira reforça o compromisso da PF em desmantelar organizações que usam o sistema bancário para ocultar recursos ilícitos, especialmente aqueles ligados ao tráfico de drogas e à corrupção política.
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