PF mira executivos de Itaú, Bradesco e Santander em nova fase da investigação sobre fraude na Americanas

A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta quinta-feira (26) a nova fase da operação que investiga a fraude bilionária na Americanas, mirando executivos de Itaú, Bradesco e Santander. A ação apura a possível participação de funcionários dessas instituições financeiras no esquema que ocultava operações bilionárias da varejista, resultando em um prejuízo estimado de R$ 54 bilhões. A investigação, que já havia sido batizada de Operação Disclosure, agora se aprofunda no papel dos bancos na suposta fraude contábil que levou a Americanas a pedir recuperação judicial em janeiro de 2023.

De acordo com a PF, a nova fase da operação cumpre mandados de busca e apreensão em endereços ligados a executivos dos três bancos, além de acionistas da Americanas. As investigações indicam que os bancos teriam conhecimento das operações de risco que eram maquiadas nos balanços da empresa, mas não as reportaram aos órgãos reguladores. A fraude, que envolvia contratos de financiamento de compras e operações de desconto de duplicatas, teria sido usada para inflar artificialmente o lucro da varejista e esconder dívidas crescentes.

Panorama político e econômico

O caso Americanas se tornou um dos maiores escândalos financeiros do Brasil, com repercussões no mercado de capitais e na credibilidade das instituições financeiras. A investigação da PF ocorre em um momento de tensão no setor, com o governo federal discutindo novas regras para a governança corporativa e a transparência de empresas de capital aberto. A operação também levanta questionamentos sobre a atuação dos bancos como agentes financiadores e fiscalizadores, especialmente após a crise de crédito que afetou o varejo brasileiro nos últimos anos.

As fontes da PF indicam que os executivos dos bancos podem ter atuado para ocultar as operações fraudulentas, seja por meio de conivência ou participação ativa. O Itaú, o Bradesco e o Santander são os maiores credores da Americanas no processo de recuperação judicial, com exposição conjunta de bilhões de reais. A nova fase da operação, que também mira acionistas da varejista, como os sócios da J&F Investimentos, dona da Americanas, amplia o escopo da investigação para além dos executivos da empresa.

Detalhes do impacto

A fraude na Americanas já resultou em demissões em massa, fechamento de lojas e uma queda de mais de 80% no valor das ações da empresa. O prejuízo de R$ 54 bilhões, um dos maiores já registrados no país, afetou milhares de investidores e fornecedores. A PF estima que o esquema envolvia a criação de contratos fictícios e a manipulação de relatórios financeiros, com a participação de pelo menos 10 pessoas, entre executivos da varejista e dos bancos. A operação desta quinta-feira é a quarta fase da investigação, que já havia prendido temporariamente o ex-CEO da Americanas, Miguel Gutierrez, e outros diretores.

A expectativa é que a PF aprofunde as investigações sobre o papel dos bancos, que podem ser responsabilizados por omissão ou conivência. O caso também deve gerar novas ações civis públicas e pedidos de indenização por parte de acionistas minoritários. A operação Disclosure, que já havia sido destaque no portal Republica do Povo, agora ganha novos contornos com a inclusão dos executivos bancários, reforçando a tese de que a fraude não foi um ato isolado, mas sim um esquema sistêmico que envolveu múltiplos atores do mercado financeiro.

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