Relatório final da investigação da Polícia Federal aponta que o ex-presidente do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), Alessandro Stefanutto, teria recebido propina mensal de R$ 250 mil para favorecer entidades envolvidas em descontos indevidos sobre benefícios previdenciários. O esquema, que já resultou no indiciamento de 48 pessoas, incluindo o ex-presidente do INSS e o lobista conhecido como “Careca”, movimentou valores bilionários e prejudicou milhares de aposentados em todo o Brasil.
De acordo com a PF, os pagamentos ocorreram de forma regular durante o período em que Stefanutto esteve à frente do órgão, entre 2020 e 2022. A investigação aponta que ele teria recebido ao menos R$ 550 mil em propinas, valor que pode ser ainda maior, conforme avanço das apurações. O dinheiro era destinado a garantir que entidades de classe e associações tivessem acesso privilegiado a descontos em folha de pagamento dos aposentados, sem a devida autorização dos beneficiários.
Esquema de fraudes contra aposentados
O esquema, que já foi alvo de outras operações da PF, envolvia a concessão de descontos indevidos em benefícios previdenciários, como empréstimos consignados, seguros e mensalidades associativas. As entidades beneficiadas pagavam propinas a servidores do INSS e a lobistas para garantir a inclusão desses descontos sem o consentimento dos aposentados. A PF estima que o prejuízo aos cofres públicos e aos segurados ultrapasse R$ 1 bilhão.
Entre os indiciados estão Alexandre Sampaio, ex-presidente do INSS, e o lobista Carlos Alberto de Oliveira, conhecido como “Careca”. Ambos são acusados de participação ativa no esquema, que contava com a conivência de servidores públicos e dirigentes de entidades de classe. A investigação também apontou que parte da propina era paga em imóveis de luxo, conforme revelou o escândalo financeiro envolvendo o ex-presidente do BRB, que teria acertado propina de R$ 146,5 milhões em imóveis de alto padrão.
Panorama político e judicial
O caso ganhou repercussão nacional e reacendeu o debate sobre a corrupção no sistema previdenciário brasileiro. A PF já havia indiciado 48 pessoas em julho de 2023, incluindo ex-dirigentes do INSS e lobistas, em um esquema que a corporação classificou como “bilionário”. As investigações continuam em andamento, e novos desdobramentos são esperados nos próximos meses.
O ex-presidente do INSS, Alessandro Stefanutto, foi nomeado para o cargo durante o governo de Jair Bolsonaro, o que coloca o caso no centro do debate político. A oposição já cobra explicações do ex-presidente e de seus aliados, enquanto a defesa de Stefanutto nega as acusações e afirma que ele é vítima de perseguição política. O caso também levanta questionamentos sobre a atuação do INSS e a necessidade de reformas no sistema de concessão de benefícios.
A PF reforça que as investigações continuam e que novas provas podem surgir, incluindo a identificação de outros envolvidos e a quantificação exata dos valores desviados. O caso já é considerado um dos maiores escândalos de corrupção envolvendo o INSS nos últimos anos.
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