O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve se reunir na próxima semana com o líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), para definir o futuro do parlamentar no cargo. A avaliação no Palácio do Planalto é de que as explicações de Wagner sobre a compra de um apartamento em Salvador foram ‘sofríveis’, segundo fontes ouvidas pelo blog do jornalista Gerson Camarotti, do G1. Lula viajou para a Bahia nesta sexta-feira (19), e interlocutores do governo já sinalizam que o senador deve tomar a iniciativa de deixar a liderança rapidamente para se dedicar à sua defesa jurídica.
O clima no Planalto é de que ‘Wagner é político. Sabe melhor do que ninguém os efeitos do episódio. É melhor deixar a liderança e fazer sua defesa jurídica. Uma coisa é o tempo da Justiça. Outra coisa é o tempo da política’, definiu um interlocutor de Lula. A pressão ocorre após a operação da Polícia Federal que mirou a relação de Wagner com o ex-banqueiro Augusto Lima, do Banco Master. O senador afirmou que pediu ajuda a Lima para comprar o apartamento para a filha enquanto o prédio estava em construção, com a intenção de recomprar o imóvel posteriormente.
Investigação da PF aponta benefícios milionários
A Polícia Federal investiga se Wagner atuou diretamente em favor de projetos de interesse do grupo financeiro de Lima e do empresário Vorcaro. Entre as medidas citadas estão a chamada ‘Emenda Master’ e uma proposta legislativa que visava ampliar o limite do crédito consignado, setor onde o grupo possui forte atuação por meio do Credcesta. Em contrapartida, os investigadores suspeitam que o senador tenha sido beneficiado com propina de R$ 3,5 milhões, repassados por meio de uma empresa ligada ao enteado, Eduardo Mendonça Sodré Martins, o ‘Dudu’, e à nora do senador, Bonnie Toaldo Bonilha.
Além disso, a PF aponta a transação suspeita de um apartamento de luxo no Poeme Residence (unidade 1702), localizado no bairro do Horto Florestal, em Salvador, avaliado em mais de R$ 2,4 milhões. O senador também teria feito uso frequente de aeronaves particulares e recebido ingressos para shows, incluindo a compra de ingressos para um show em Los Angeles, nos Estados Unidos, no valor de mais de R$ 63 mil, pagos pela empresa Reag Investimentos em favor da família de Wagner.
O cenário expõe a fragilidade da relação entre o governo e o setor financeiro, além de levantar questionamentos sobre a atuação de lideranças políticas em benefício de grupos privados. A operação, batizada de Compliance Zero, atinge diretamente o líder do governo no Senado e expõe a relação entre Jaques Wagner e o Banco Master, conforme reportagem do portal República do Povo. O episódio abala o Planalto e impacta a estratégia eleitoral de Lula, que precisa lidar com a crise interna enquanto busca manter a base aliada no Congresso.
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