A influenciadora digital Viih Tube teve seus perfis no TikTok e no YouTube desativados nesta semana, ampliando a crise que já havia começado com a suspensão de sua conta no Instagram. As medidas ocorrem em meio à forte repercussão negativa gerada pelo lançamento de um reality show estrelado por funcionários de sua própria família, projeto que levantou questionamentos éticos sobre exploração trabalhista e exposição de menores de idade nas plataformas digitais.
Até o momento, a influenciadora não se pronunciou publicamente sobre os motivos das desativações, que atingem três das maiores redes sociais do mundo. A ausência de explicações alimenta especulações sobre possíveis violações das diretrizes de comunidade das plataformas, especialmente no que diz respeito à remuneração e ao trabalho de adolescentes e crianças em conteúdos digitais. O caso reacende o debate sobre a regulamentação do trabalho infantil no ambiente online, tema que ganhou força com a recente exigência de autorização judicial para que plataformas remunerem menores de idade, conforme reportado pelo Republica do Povo.
Panorama político e regulatório
A situação de Viih Tube ocorre em um contexto de crescente pressão sobre as big techs para que adotem mecanismos mais rigorosos de proteção a crianças e adolescentes. No Brasil, a Anbima já lançou o primeiro ranking de influenciadores financeiros certificados, sinalizando uma tendência de maior controle sobre conteúdos que envolvem dinheiro e menores. Além disso, projetos de lei em tramitação no Congresso Nacional buscam responsabilizar plataformas por danos causados a jovens influenciadores, enquanto o Ministério Público do Trabalho investiga denúncias de jornadas exaustivas e condições inadequadas de trabalho em produções caseiras.
A suspensão simultânea das contas de Viih Tube em três plataformas distintas sugere uma ação coordenada ou, ao menos, uma convergência de critérios de moderação. Especialistas em direito digital apontam que as empresas de tecnologia estão endurecendo suas políticas para evitar sanções legais e danos reputacionais, especialmente após escândalos envolvendo youtubers mirins e famílias que transformam a vida doméstica em negócio. O silêncio da influenciadora, por sua vez, pode indicar uma estratégia de contenção de danos ou a busca por assessoria jurídica antes de qualquer pronunciamento.
Enquanto isso, a polêmica expõe as fragilidades do modelo de negócios baseado na exposição de menores e na exploração de vínculos afetivos para gerar engajamento. A sociedade civil e órgãos reguladores acompanham de perto os desdobramentos, que podem estabelecer precedentes importantes para o futuro da economia criativa no Brasil. O Republica do Povo continuará monitorando o caso e trará novas informações assim que a influenciadora ou as plataformas se manifestarem oficialmente.
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