A Polícia Civil de Alagoas prendeu, nesta quarta-feira (12), um homem de 42 anos que estava foragido e condenado a 42 anos de prisão pelo crime de estupro de vulnerável, ocorrido em Arapiraca, no Agreste alagoano. A ação foi realizada por equipes da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (DEAM) e da Delegacia de Homicídios da cidade, após investigações que localizaram o suspeito em um imóvel no bairro Brasília. O crime, cometido contra uma criança de 11 anos em 2018, chocou a comunidade local e gerou comoção, com a condenação sendo proferida em 2021, mas o réu permanecia foragido desde então.
De acordo com a Polícia Civil, o mandado de prisão foi expedido pela Vara de Execuções Penais de Arapiraca, e a captura ocorreu sem resistência. O preso foi encaminhado ao sistema prisional, onde cumprirá a pena em regime fechado. A ação integra os esforços contínuos das forças de segurança para reduzir a impunidade em crimes sexuais contra crianças e adolescentes, que têm registrado aumento em Alagoas nos últimos anos. Dados da Secretaria de Segurança Pública de Alagoas indicam que, em 2023, foram registrados 1.200 casos de estupro de vulnerável no estado, um crescimento de 15% em relação a 2022.
Panorama político e social
O caso ocorre em um contexto de intensificação das políticas de combate à violência sexual, impulsionadas por programas como o “Alagoas contra o Crime”, que prevê a criação de delegacias especializadas e a capacitação de agentes. A prisão também reflete a atuação do Ministério Público de Alagoas, que tem priorizado a responsabilização de agressores, especialmente em casos que envolvem vítimas vulneráveis. No entanto, especialistas apontam que a subnotificação e a demora nos processos judiciais ainda são desafios, com apenas 30% dos casos denunciados resultando em condenação, segundo a Associação de Magistrados de Alagoas.
A operação em Arapiraca também se insere em um movimento mais amplo de combate à criminalidade no estado, que inclui ações como a “Operação Mulher Segura”, que prendeu 11 homens por violência doméstica em Maceió, Rio Largo e interior, e a captura de foragidos por violência doméstica em festas, como registrado recentemente. Essas iniciativas, coordenadas pela Secretaria de Segurança Pública, buscam dar respostas rápidas a crimes que afetam grupos vulneráveis, mas ainda enfrentam limitações orçamentárias e de efetivo policial.
A prisão do condenado por estupro de vulnerável em Arapiraca reforça a importância da atuação integrada entre polícia e Judiciário, mas também levanta questionamentos sobre a eficácia do sistema de monitoramento de foragidos. Em 2023, a Polícia Civil de Alagoas capturou 450 foragidos, um aumento de 20% em relação ao ano anterior, mas o número de mandados pendentes ainda é alto, com cerca de 2.000 ordens de prisão em aberto no estado. A sociedade civil, por meio de organizações como o Conselho Tutelar de Arapiraca, cobra mais investimentos em prevenção e acolhimento de vítimas, enquanto o governo estadual promete ampliar o programa de delegacias especializadas até 2025.
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