A Polícia Federal aponta uma pousada de luxo avaliada em R$ 5,7 milhões, localizada em Porto de Pedras, litoral norte de Alagoas, como peça-chave em uma investigação sobre um suposto desvio de R$ 100 milhões na Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas. O imóvel teria sido adquirido em nome do filho do secretário Gustavo Pontes e pago, em parte, por terceiros ligados ao grupo investigado, segundo relatório obtido com exclusividade pelo Francês News.
O documento da PF detalha que a transação imobiliária ocorreu em meio a contratos suspeitos firmados pela pasta da Saúde com empresas de fachada e organizações sociais. Os pagamentos, segundo os investigadores, foram feitos por intermediários que atuavam como laranjas do esquema, movimentando recursos públicos desviados para a aquisição de bens de alto padrão. A pousada, com piscina, área de lazer e vista para o mar, teria sido registrada em nome de um menor de idade, filho do secretário, o que levanta suspeitas de ocultação de patrimônio.
Panorama político e desdobramentos
O caso expõe um cenário de fragilidade nos mecanismos de controle da administração pública em Alagoas, onde a Saúde já foi alvo de outras operações policiais nos últimos anos. A investigação corre em segredo de justiça, mas fontes ligadas ao Ministério Público Estadual indicam que há pelo menos mais cinco imóveis de luxo sendo rastreados, todos vinculados a agentes públicos e empresários do setor. A defesa de Gustavo Pontes nega irregularidades e afirma que o imóvel foi adquirido com recursos próprios da família, mas a PF aponta inconsistências nos comprovantes de renda apresentados.
O esquema, segundo a PF, envolvia a superfaturamento de contratos emergenciais na Saúde, especialmente durante a pandemia de Covid-19, com desvios que teriam abastecido um grupo de pelo menos 12 pessoas, entre servidores públicos e empresários. A pousada seria apenas a ponta de um iceberg de lavagem de dinheiro que inclui veículos de luxo, joias e contas no exterior. O caso agora aguarda manifestação do Judiciário para possíveis quebras de sigilo e novas prisões.
A população alagoana, que enfrenta filas e falta de medicamentos nos hospitais públicos, vê com indignação o uso de recursos da Saúde para financiar o luxo de poucos. Organizações de controle social, como a Transparência Alagoas, já pedem a abertura de uma CPI para investigar a fundo a gestão da pasta. Enquanto isso, a PF segue analisando documentos apreendidos em endereços ligados ao grupo, na expectativa de desvendar todo o esquema de desvio milionário.
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