Prefeitura de Maceió convoca 650 professores do PSS 2026 em meio a tensões com sindicato e proposta de reajuste parcelado

A Prefeitura de Maceió publicou, nesta semana, a convocação de 650 professores aprovados no Processo Seletivo Simplificado (PSS) 2026 da Educação, abrindo prazo para credenciamento imediato dos candidatos. A medida, que visa reforçar o quadro docente da rede municipal, ocorre em um contexto de tensão política e sindical na capital alagoana, marcado por embates entre o Sinteal (Sindicato dos Trabalhadores da Educação de Alagoas) e a gestão do prefeito JHC, que recentemente propôs um reajuste salarial de 6% parcelado em três vezes para os servidores municipais.

De acordo com o edital de convocação, os 650 professores classificados no PSS 2026 deverão comparecer ao setor de credenciamento da Secretaria Municipal de Educação (Semed) para apresentar a documentação exigida e formalizar o vínculo temporário. A lista completa dos convocados foi divulgada no Diário Oficial do Município e inclui candidatos de diversas disciplinas, com destaque para áreas como Língua Portuguesa, Matemática e Educação Infantil. A convocação representa a primeira chamada do processo seletivo, que havia sido realizado no final de 2025 para suprir carências emergenciais na rede pública de ensino.

Panorama político e reação sindical

A convocação dos professores ocorre em meio a um cenário de forte mobilização sindical. O Sinteal rebateu, na última semana, uma ação judicial movida pela Prefeitura de Maceió contra o sindicato, classificando a medida como “intimidação” e prometendo resistência. A entidade sindical alega que a gestão JHC tem adotado uma postura autoritária nas negociações salariais e trabalhistas, especialmente após a proposta de reajuste de 6% parcelado em três vezes, apresentada em fevereiro de 2026. A proposta, que prevê pagamento em março, julho e novembro, foi rejeitada pelo sindicato, que reivindica um aumento linear de 10% e a incorporação de gratificações ao salário base.

Paralelamente, a Prefeitura de Maceió também enfrenta críticas em relação ao Iprev (Instituto de Previdência dos Servidores Municipais), alvo de uma ação judicial que questiona a gestão dos recursos previdenciários. O Sinteal, em nota, afirmou que “não aceitará intimidação” e que intensificará a mobilização dos servidores, incluindo a possibilidade de greve, caso as reivindicações não sejam atendidas. A convocação dos 650 professores, nesse contexto, é vista por analistas como uma tentativa da gestão de demonstrar capacidade de resposta às demandas da educação, mas também como um movimento para pressionar o sindicato, ao mesmo tempo em que busca recompor o quadro de pessoal após anos de cortes e congelamento de concursos.

O cenário político em Maceió reflete uma polarização crescente entre a administração municipal e as entidades representativas dos servidores. Enquanto a Prefeitura defende a responsabilidade fiscal e a necessidade de parcelamento dos reajustes para equilibrar as contas públicas, o Sinteal aponta que a gestão JHC prioriza obras e eventos em detrimento dos salários dos trabalhadores. A convocação dos professores do PSS 2026, embora atenda a uma necessidade imediata da rede de ensino, insere-se nesse embate mais amplo, que deve marcar o ano eleitoral de 2026 em Alagoas.

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