Pressão no Planalto e PT: Jaques Wagner deve deixar liderança no Senado após operação da PF

Integrantes do Palácio do Planalto e do Partido dos Trabalhadores (PT) aguardam que o senador Jaques Wagner (PT-BA) entregue o cargo de líder do governo no Senado após a operação da Polícia Federal (PF) realizada nesta quinta-feira (18), que mirou a relação do parlamentar com o ex-banqueiro Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master. A medida é vista como necessária para blindar a campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva diante do escândalo financeiro que envolve repasses de R$ 3,5 milhões em propina e atuação legislativa suspeita.

Interlocutores do presidente Lula ainda aguardam uma reunião para avaliar a repercussão política do episódio. O petista chegou na madrugada desta sexta-feira (19) a Brasília, após participar da reunião de cúpula do G7 na França. O tom no Planalto é de se afastar ao máximo do escândalo, deixando a responsabilidade da explicação com o próprio Wagner. “A investigação tem que ir até o fundo. Doa a quem doer, tem que pegar tudo. A Polícia Federal tem que apurar tudo do escândalo Master”, afirmou ao blog um interlocutor do presidente Lula.

Tanto no Planalto como no PT, a avaliação é de que Jaques Wagner fará um gesto de entregar o cargo de líder. “Conhecendo Wagner, ele vai entregar a liderança”, reforçou outro interlocutor de Lula. No governo, o ambiente é de surpresa. A avaliação interna é que o senador deveria ter se antecipado e deixado a liderança sabendo do que poderia surgir na investigação. Há o reconhecimento de que a PF revela fatos graves envolvendo Wagner, e que a resposta política precisa ser firme para se diferenciar dos casos do senador Flávio Bolsonaro (PL), que pediu dinheiro a Daniel Vorcaro para financiar o filme “Dark Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro; e do senador Ciro Nogueira, que, segundo a PF, recebeu mesada do ex-banqueiro.

Apoio do PT e investigação em andamento

O presidente do PT, Edinho Silva, divulgou nota oficial em apoio a Jaques Wagner. “O senador Jaques Wagner é depositário de toda a nossa confiança. Apoiamos todas as apurações envolvendo o Banco Master, a sociedade tem o direito de saber a verdade, os crimes cometidos precisam ser apurados e os responsáveis penalizados. Nesse processo de investigação e apuração, temos confiança que o Jaques Wagner esclarecerá todos os fatos, comprovando a sua inocência”, declarou.

A PF investiga se o senador atuou diretamente em favor de projetos de interesse do grupo financeiro. Entre as medidas citadas estão a chamada “Emenda Master” e uma proposta legislativa que visava ampliar o limite do crédito consignado, setor onde o grupo de Daniel Vorcaro e Augusto Lima possui forte atuação por meio do Credcesta. Em contrapartida, os investigadores suspeitam que Wagner tenha sido beneficiado com propina: repasses que somariam R$ 3,5 milhões, realizados por meio de operações financeiras suspeitas.

O episódio ocorre em um momento de alta tensão política, com o governo Lula buscando consolidar sua base no Congresso e se distanciar de escândalos de corrupção que marcaram gestões anteriores. A expectativa é que a saída de Wagner da liderança no Senado seja anunciada nos próximos dias, como forma de preservar a imagem do governo e da campanha presidencial.

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