Um professor de jiu-jítsu foi preso na última segunda-feira, 26 de julho, sob suspeita de estupro e exploração sexual de adolescentes. A investigação, conduzida pela Polícia Civil, aponta que ao menos sete jovens foram vítimas do suspeito, que se aproveitava da posição de instrutor para coagir e abusar sexualmente de alunos. A corporação não descarta a possibilidade de que o número de vítimas seja ainda maior e trabalha para identificar outros possíveis casos.
O suspeito, cujo nome não foi divulgado, atuava em academias de jiu-jítsu na região metropolitana. De acordo com as investigações, ele utilizava sua autoridade como professor para estabelecer relações de poder e dependência com os adolescentes, muitas vezes sob a justificativa de treinamentos intensivos ou viagens para competições. As vítimas, com idades entre 13 e 17 anos, relataram à polícia que eram submetidas a abusos sexuais e, em alguns casos, coagidas a se prostituir.
Investigação e novas vítimas
A Polícia Civil informou que as investigações tiveram início após a denúncia de uma das vítimas, que procurou a delegacia especializada em crimes contra crianças e adolescentes. A partir do depoimento, os agentes conseguiram identificar outras seis vítimas, todas ex-alunas do professor. A delegada responsável pelo caso, Dra. Ana Paula Mendes, afirmou que a exploração sexual ocorria de forma sistemática e que o suspeito mantinha um esquema de aliciamento dentro das academias. “Ele escolhia as vítimas entre as mais vulneráveis, muitas vezes com problemas familiares ou financeiros, e oferecia ajuda em troca de favores sexuais”, explicou a delegada.
A polícia agora analisa celulares, computadores e documentos apreendidos na residência do suspeito para identificar possíveis novas vítimas e comparsas. A delegada não descarta a hipótese de que o professor integrasse uma rede de exploração sexual. “Estamos aprofundando as investigações para entender se há outros envolvidos, seja na academia ou fora dela”, completou.
Panorama político e social
O caso reacende o debate sobre a vulnerabilidade de adolescentes em ambientes esportivos e a necessidade de políticas públicas de proteção. A exploração sexual de menores é um crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), com penas que podem chegar a 15 anos de reclusão. No entanto, especialistas apontam que a subnotificação e a dificuldade de denúncia ainda são entraves para o combate a esse tipo de crime.
Organizações de defesa dos direitos das crianças e adolescentes, como o Conselho Tutelar e a Associação Brasileira de Proteção à Infância, cobram ações mais efetivas do poder público. “É fundamental que as academias e outros espaços de convivência de jovens tenham protocolos claros de prevenção e canais seguros para denúncias”, afirmou a presidente da associação, Maria Clara Santos. O caso também levanta questionamentos sobre a fiscalização de profissionais que trabalham com menores, especialmente em modalidades esportivas que envolvem contato físico intenso.
A Prefeitura local, por meio da Secretaria de Esportes, informou que abrirá uma sindicância para apurar se o suspeito possuía vínculo com programas municipais. Já a federação de jiu-jítsu do estado declarou, em nota, que “repudia veementemente qualquer ato de violência ou exploração” e que colabora com as investigações. O caso segue sob sigilo judicial, e o suspeito permanece preso preventivamente.
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