Um projeto de lei em tramitação na Câmara dos Deputados propõe tornar obrigatória a instalação de banheiros de uso neutro em todos os estabelecimentos públicos e privados de uso coletivo no país. A medida, prevista no Projeto de Lei 2117/26, estabelece que essas instalações deverão ser individuais, com porta de fechamento total para garantir a privacidade dos usuários, e não poderão ter qualquer restrição de gênero. A proposta, que está em análise na Casa, representa um avanço significativo na discussão sobre inclusão e acessibilidade em espaços compartilhados.
De acordo com o texto, os banheiros neutros deverão ser disponibilizados em locais como shoppings, escolas, hospitais, repartições públicas, restaurantes, teatros, entre outros espaços de grande circulação. A exigência abrange tanto edificações novas quanto aquelas que passarem por reformas ou adaptações, conforme critérios que ainda serão definidos em regulamentação específica. A proposta também prevê que as instalações sejam sinalizadas de forma clara, indicando que se trata de um ambiente de uso neutro, sem distinção de gênero.
O projeto surge em um contexto de crescente debate sobre a diversidade e o respeito às identidades de gênero no Brasil. Nos últimos anos, diversas cidades e estados têm adotado medidas semelhantes, seja por meio de leis locais ou de decisões judiciais, reconhecendo a necessidade de espaços que acolham todas as pessoas, independentemente de sua orientação sexual ou identidade de gênero. A medida também é vista como uma forma de combater a discriminação e a violência que muitas pessoas enfrentam ao utilizar banheiros públicos.
Especialistas em direitos humanos e urbanismo destacam que a instalação de banheiros neutros não apenas garante a dignidade de pessoas trans e não binárias, mas também beneficia outros grupos, como pais com filhos de sexos diferentes, pessoas com deficiência que necessitam de acompanhante e idosos que precisam de assistência. Além disso, a medida pode contribuir para a redução de filas em locais de grande movimento, já que os banheiros neutros podem ser utilizados por qualquer pessoa, independentemente do gênero.
A tramitação do Projeto de Lei 2117/26 ocorre em um momento em que o Congresso Nacional discute outras pautas relacionadas à diversidade e à inclusão, como a criminalização da homofobia e a garantia de direitos para a população LGBTQIA+. A proposta, no entanto, enfrenta resistência de setores mais conservadores, que argumentam que a medida poderia gerar desconforto ou violar a privacidade de alguns usuários. Os defensores do projeto, por outro lado, afirmam que a privacidade é garantida pelo uso de cabines individuais e que a medida é um passo necessário para a construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
Caso seja aprovado, o projeto seguirá para sanção presidencial, e os estabelecimentos terão um prazo para se adequar às novas regras, que ainda será definido. A proposta, se virar lei, terá impacto direto na vida de milhões de brasileiros, que passariam a contar com espaços mais inclusivos e respeitosos em seu dia a dia. A expectativa é de que o debate em torno do tema ganhe força nos próximos meses, com a realização de audiências públicas e a participação da sociedade civil.
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