O cenário do direito previdenciário no Brasil passou por transformações significativas em 2026, com decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) e novas portarias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) que afetam diretamente aposentadorias especiais, pensões por feminicídio e o Benefício de Prestação Continuada (BPC). As alterações, que buscam equilibrar proteção social e ajustes fiscais, foram detalhadas por especialistas do Sindicato dos Advogados e Advogadas do Estado de Alagoas (Sindav/AL), que alertam para a necessidade de atualização imediata por parte da advocacia e da população.
Uma das principais mudanças foi a retirada da exigência de idade mínima para a concessão da aposentadoria especial, que antes era de 55, 58 ou 60 anos, dependendo do tipo de atividade com exposição a agentes nocivos. O STF considerou que a idade mínima, estabelecida pela reforma da previdência de 2019, desvirtuava o caráter protetivo do benefício. Caio Cavalcante, advogado especialista e diretor especial do Sindav/AL, explicou: “A aposentadoria especial existe para afastar o trabalhador de um ambiente que prejudica sua saúde após determinado tempo de exposição. Obrigar esse cidadão a continuar trabalhando apenas para atingir uma idade mínima significaria prolongar o seu sofrimento e o risco de adoecimento, o que é inconstitucional.” A decisão, no entanto, manteve outros pontos da reforma, como a proibição de converter tempo especial em comum para períodos após 13 de novembro de 2019 e a fórmula de cálculo que exige 40 anos de contribuição para homens e 35 para mulheres para atingir 100% do coeficiente na aposentadoria.
Outro marco relevante foi a edição da Portaria nº 1.961 pelo INSS, que regulamenta a pensão especial de um salário mínimo para filhos e dependentes de vítimas de feminicídio, desde que tenham até 18 anos. O benefício se estende a enteados, menores sob guarda e tutelados, ampliando a rede de proteção social para famílias impactadas por esse crime. A medida representa um avanço no reconhecimento da vulnerabilidade desses dependentes, mas exige que a advocacia esteja preparada para orientar sobre os procedimentos de solicitação e documentação necessária.
As mudanças também atingem o BPC, com revisões nos critérios de renda e composição familiar, o que pode afetar milhões de beneficiários que dependem do programa para sobrevivência. O diretor financeiro do Sindav/AL e advogado previdenciarista, Flávio Farias, destacou o papel essencial da advocacia nesse contexto: “Diante dessas mudanças no Direito Previdenciário, o papel da advocacia se torna ainda mais essencial. Os advogados e advogadas devem estar atentos não apenas pela necessidade técnica, mas pelo compromisso social. O povo alagoano, especialmente os mais vulneráveis, confia na categoria para sermos a sua voz. Por isso, o Sindav/AL reforça que uma advocacia atenta e bem preparada é, sem dúvida, o maior escudo de proteção da cidadania e da dignidade humana.”
No panorama político geral, as decisões refletem um embate entre o Legislativo, que aprovou a reforma de 2019 com foco em ajuste fiscal, e o Judiciário, que busca garantir direitos fundamentais. A portaria do INSS, por sua vez, insere-se em um contexto de políticas públicas de enfrentamento à violência de gênero, mas especialistas alertam que a implementação efetiva depende de estrutura administrativa e orçamentária. A combinação dessas medidas sinaliza um novo equilíbrio no sistema previdenciário brasileiro, que exige atenção redobrada de trabalhadores, dependentes e operadores do direito.
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