Rompimento com grupo Dantas/Calheiros/MV custa caro a Marx Beltrão, que busca reerguer-se politicamente

O deputado federal Marx Beltrão enfrenta um momento delicado em sua trajetória política, após romper com o bloco liderado por Dantas, Calheiros e MV. Desde que se tornou adversário do grupo que antes o apoiava, Beltrão sofreu uma série de reveses eleitorais e políticos, dos quais agora tenta se recuperar. O caso mais emblemático foi a desistência do ex-prefeito Júlio Cezar, que havia anunciado publicamente que apoiaria Beltrão para deputado federal, mas acabou aceitando o convite do governador para ser ele próprio candidato ao mesmo cargo, pelo PSD, ainda que sem chances reais de vitória.

A manobra de Júlio Cezar, que trocou de lado após pressão do Palácio, expõe a fragilidade da base de sustentação de Marx Beltrão no interior do estado. O gesto foi interpretado por analistas políticos como mais uma ‘rasteira’ aplicada pelo grupo Dantas/Calheiros/MV, que tem demonstrado capacidade de cooptar aliados de adversários, enfraquecendo suas candidaturas e isolando-os politicamente.

Além da perda de Júlio Cezar, Beltrão também viu outros antigos apoiadores migrarem para campos opostos, reduzindo seu capital eleitoral e sua influência em regiões estratégicas. O deputado, que já foi considerado uma promessa de renovação, agora busca se reerguer em meio a um cenário de polarização e alianças fluidas, típico da política alagoana.

O panorama geral revela que o rompimento com o grupo hegemônico no estado não é trivial: além de perder acesso a recursos e estrutura partidária, o parlamentar enfrenta a máquina pública e a capilaridade de uma rede de prefeitos e vereadores fiéis ao bloco adversário. Especialistas apontam que, para se refazer, Marx Beltrão precisará reconstruir pontes e articular novas alianças, tarefa difícil em um ambiente onde o governador e seus aliados controlam grande parte do orçamento e dos cargos.

Enquanto isso, o grupo Dantas/Calheiros/MV segue consolidando seu domínio, com a candidatura de Júlio Cezar servindo como mais um instrumento para fragmentar a oposição e garantir a hegemonia nas eleições proporcionais. A situação de Beltrão ilustra os riscos de quem ousa desafiar as estruturas de poder estabelecidas em Alagoas.

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