Segurança pública pode ser o motor da ‘onda azul’ na América Latina, avalia Eurasia Group

A segurança pública pode se tornar o principal motor de uma nova ‘onda azul’ na América Latina, segundo avaliação do Eurasia Group, uma das principais consultorias de risco político do mundo. Em entrevista ao WW, o diretor para as Américas da consultoria, Christopher Garman, analisou o recente encontro entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente argentino Javier Milei, apontando que a pauta da segurança, combinada com o desgaste dos governos de esquerda, pode fortalecer movimentos conservadores na região.

O encontro, realizado em Buenos Aires, foi interpretado por analistas como um movimento estratégico de articulação entre lideranças da direita latino-americana. Flávio Bolsonaro e Javier Milei discutiram temas como combate ao crime organizado, reformas econômicas e alinhamento político. Para Garman, a segurança pública emerge como um tema transversal capaz de unir diferentes correntes da direita, especialmente em países onde a violência e a impunidade são problemas crônicos.

Panorama político regional

A avaliação do Eurasia Group ocorre em um contexto de ascensão de lideranças de direita em países como Argentina, Chile e Equador, enquanto governos de esquerda enfrentam crises de popularidade no Brasil, Colômbia e México. Christopher Garman destacou que a ‘onda azul’ não se limita a um único personagem político, mas reflete um movimento mais amplo de insatisfação com a gestão da segurança e da economia. ‘A direita tem conseguido capitalizar o medo e a frustração da população com a violência, apresentando propostas de endurecimento penal e maior presença do Estado na segurança’, afirmou o analista.

O encontro entre Flávio Bolsonaro e Milei também foi visto como uma tentativa de fortalecer laços entre o bolsonarismo e o mileísmo, duas forças que, embora com diferenças táticas, compartilham uma visão crítica ao globalismo e ao progressismo. Garman ressaltou que, para a direita latino-americana, a segurança pública é um tema mais palpável e imediato do que debates ideológicos, o que a torna uma plataforma eleitoral poderosa.

Impacto e perspectivas

O Eurasia Group projeta que, se a tendência se consolidar, a ‘onda azul’ pode influenciar eleições presidenciais e legislativas nos próximos anos, especialmente em países como Brasil, Peru e Colômbia. ‘A segurança pública não é apenas uma questão local, mas um fator que pode redefinir alianças regionais e a agenda de integração’, concluiu Christopher Garman. A consultoria alerta, no entanto, que o sucesso desse movimento dependerá da capacidade da direita de apresentar propostas viáveis e de evitar divisões internas.

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