O presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, senador Otto Alencar (PSD-BA), articula nos próximos dias uma reunião com a líder do governo na Casa, senadora Teresa Leitão (PT-PE), para definir o cronograma de tramitação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1 — modelo que estabelece seis dias consecutivos de trabalho seguidos de um de descanso. A medida, já aprovada pela Câmara dos Deputados, representa uma das mais significativas reformas trabalhistas em debate no Congresso Nacional e pode impactar diretamente milhões de brasileiros que atuam em setores como comércio, serviços e indústria.
A PEC, que tramita em regime especial, precisa passar pelo crivo da CCJ antes de seguir para o plenário do Senado, onde será submetida a dois turnos de votação. O encontro entre Otto Alencar e Teresa Leitão é visto como passo crucial para alinhar o calendário legislativo e evitar atrasos, especialmente diante da complexidade técnica e política da proposta. A líder do governo, responsável por articular a base aliada, terá papel central na construção de consenso entre os senadores, já que a PEC exige quórum qualificado de três quintos dos parlamentares para ser aprovada.
Impacto social e econômico da extinção da escala 6×1
A extinção da escala 6×1, se aprovada, alterará a rotina de trabalhadores que atualmente cumprem jornadas exaustivas, com apenas um dia de folga semanal. Estudos de entidades sindicais apontam que o modelo atual está associado a maiores índices de estresse, doenças ocupacionais e acidentes de trabalho, especialmente em setores como call centers, hospitais e redes de fast-food. Do ponto de vista econômico, a mudança pode gerar custos adicionais para empresas, que precisarão readequar escalas e, em alguns casos, contratar mais funcionários para manter a operação contínua. A estimativa de impacto fiscal e trabalhista ainda é objeto de debate entre governo, oposição e centrais sindicais.
O cronograma definido por Otto Alencar e Teresa Leitão deverá prever audiências públicas para ouvir especialistas, representantes de trabalhadores e empregadores, além de sessões de discussão na CCJ. A expectativa é que o texto original, aprovado na Câmara com amplo apoio, sofra modificações no Senado, onde a correlação de forças é mais equilibrada entre governo e oposição. Parlamentares de partidos como PL, PP e Republicanos já sinalizaram resistência a pontos específicos, como o prazo de transição para a nova jornada.
Panorama político e articulação no Congresso
A tramitação da PEC ocorre em um momento de intensa atividade legislativa, com o governo federal buscando aprovar pautas prioritárias, como a reforma tributária e o novo marco fiscal. A líder do governo, Teresa Leitão, tem atuado como ponte entre o Palácio do Planalto e o Senado, negociando com líderes partidários e com o presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG). A reunião com Otto Alencar reforça a estratégia de acelerar a votação de propostas com apelo social, em meio a pesquisas de opinião que mostram apoio majoritário da população ao fim da escala 6×1.
Enquanto isso, o governo amplia sua presença regional, como demonstra a agenda do ministro dos Transportes, Renan Filho, que percorre o Litoral Norte e o Alto Sertão em visita a nove municípios, anunciando investimentos em infraestrutura. A articulação política no Senado, no entanto, segue como termômetro para a governabilidade, e a PEC da escala 6×1 se tornou um dos principais testes para a capacidade de diálogo entre os Poderes.
O desfecho da reunião entre Otto Alencar e Teresa Leitão deve ser anunciado nos próximos dias, com a definição das primeiras audiências públicas e a data de início da votação na CCJ. A proposta, que já mobiliza centrais sindicais e entidades patronais, promete dominar o debate político no segundo semestre de 2026.
Fonte: ver noticia original

