O setor aéreo global está “fora da trajetória correta” para zerar as emissões líquidas de gás carbônico até 2050, afirmou neste domingo (7) o diretor-geral da Iata (Associação Internacional do Transporte Aéreo), Willie Walsh. A declaração foi feita durante evento do setor, em meio a crescentes cobranças por metas climáticas mais ambiciosas e à pressão de governos e organizações ambientais para que a aviação comercial reduza seu impacto no aquecimento global.
A constatação de Walsh reflete um diagnóstico preocupante: apesar dos avanços tecnológicos em biocombustíveis e aeronaves mais eficientes, o ritmo atual de redução de emissões está aquém do necessário para cumprir o compromisso assumido pela indústria em 2021, de atingir a neutralidade de carbono até meados do século. A Iata, que representa cerca de 290 companhias aéreas em 120 países, reconhece que fatores como o crescimento acelerado da demanda por voos, a lentidão na adoção de combustíveis sustentáveis e a falta de infraestrutura adequada para novas tecnologias têm dificultado o avanço.
Panorama político e econômico
O alerta da Iata ocorre em um contexto de intensos debates globais sobre financiamento climático e responsabilidades setoriais. Enquanto países em desenvolvimento cobram maior compromisso das nações ricas e das indústrias poluentes, a aviação responde por cerca de 2,5% das emissões globais de CO2, mas com impacto desproporcional devido à altitude dos voos. No Brasil, estudo recente mostrou que os 10% mais ricos concentram 72% da pegada de carbono da aviação no país, evidenciando desigualdades no acesso e no impacto ambiental.
Para especialistas, a saída passa por uma combinação de investimentos em pesquisa, regulação mais rigorosa e incentivos fiscais para combustíveis verdes. A Iata defende que governos criem políticas estáveis e de longo prazo para estimular a produção de combustíveis sustentáveis de aviação (SAF, na sigla em inglês), que hoje representam menos de 0,5% do total usado. Sem isso, a meta de 2050 permanece distante.
O pronunciamento de Willie Walsh também ecoa a pressão de acionistas e consumidores por transparência e ação climática. Companhias aéreas como Latam, Gol e Azul já anunciaram metas próprias, mas o setor como um todo ainda carece de coordenação global. A Iata estima que serão necessários investimentos da ordem de US$ 1,5 trilhão até 2050 para viabilizar a transição energética na aviação.
Enquanto isso, a pressão sobre os governos aumenta. A União Europeia já discute a inclusão da aviação em seu sistema de comércio de emissões, e o Brasil, que sedia a COP30 em 2025, enfrenta o desafio de conciliar o desenvolvimento do setor aéreo com as metas do Acordo de Paris. A fala de Walsh serve como um alerta de que, sem ações concretas e imediatas, a janela de oportunidade para evitar os piores impactos climáticos pode se fechar.
Fonte: ver noticia original

