Setor produtivo do Brasil e dos EUA propõe nova rodada de negociação para evitar tarifaço de 25%

A Confederação Nacional da Indústria (CNI), a Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil) e a U.S. Chamber of Commerce divulgaram nesta quinta-feira (9) uma nota conjunta em que pedem uma nova rodada de negociação para evitar a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, sob acusação dos Estados Unidos de que o Brasil adota práticas que “oneram ou restringem” o comércio bilateral. O prazo para a tomada de decisão do governo americano termina em 15 de julho, enquanto o Itamaraty já identificou 43 empresas e associações dos EUA que rejeitam a sobretaxa, intensificando a pressão contra o tarifaço.

As equipes do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) têm mantido conversas técnicas com representantes do governo de Donald Trump. O ministro Márcio Elias Rosa, do Mdic, chegou a ter encontro virtual com o representante do escritório comercial da Casa Branca, Jamieson Greer. Segundo ele, a determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é que o governo “nunca” abandone a mesa de negociação.

Pressão americana e audiências públicas

Em paralelo, o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês) promoveu audiências públicas para que empresas, associações, governos e outras partes interessadas apresentem seus argumentos. O pré-candidato à Presidência da República pelo PL, senador Flávio Bolsonaro, pediu para participar e, em discurso, fez críticas ao Supremo Tribunal Federal (STF) e a Lula. O USTR é o órgão responsável por formular a política comercial dos EUA, conduzir investigações sobre práticas consideradas prejudiciais ao comércio americano e recomendar medidas como a imposição de tarifas.

O Itamaraty mapeou mais de 40 empresas americanas contrárias ao tarifaço, incluindo gigantes dos setores de tecnologia, energia e agronegócio. A indústria brasileira calcula que 4,1 mil produtos podem ser atingidos pela sobretaxa, com destaque para aço, alumínio, etanol e suco de laranja. O prazo para um acordo termina em 9 dias, segundo levantamento da CNI.

Proposta de negociação em duas etapas

As entidades dizem que esperam que as tratativas já em andamento levem a “resultados práticos e relevantes que reforcem a previsibilidade”, sugerindo, entretanto, uma “abordagem incremental, estruturada em duas etapas”. “Ao avançar, em um primeiro momento, as questões comerciais mais imediatas e, em seguida, ampliar a agenda para abarcar oportunidades estratégicas de longo prazo, ambos os governos poderão fortalecer a confiança, aumentar a competitividade e estabelecer bases mais sólidas para uma cooperação econômica duradoura”, diz a declaração conjunta.

As organizações defendem que, no curto prazo, os governos dos dois países deveriam concentrar esforços para: ampliar o acesso a mercados para produtos voltados à segurança energética, ao desenvolvimento de data centers e à infraestrutura de inteligência artificial; aprofundar a cooperação regulatória para facilitar o acesso a mercados nos setores automotivo, farmacêutico, de saúde animal e de dispositivos médicos; acelerar o exame de patentes e reduzir o estoque de pedidos de patente no Brasil, especialmente nos setores de saúde e biofarmacêutico, bem como fortalecer o combate à pirataria; e avançar em uma cooperação sobre minerais críticos.

Panorama político e econômico

A crise comercial ocorre em meio a tensões diplomáticas entre Brasil e EUA, agravadas por declarações de Donald Trump sobre soberania nacional e pela aproximação do governo Lula com a China. Enquanto isso, o Congresso brasileiro discute medidas de reciprocidade, e o Senado aprovou, em junho, um projeto que autoriza o governo a retaliar barreiras comerciais unilaterais. A audiência nos EUA sobre as tarifas de 25% reuniu 40 entidades e expôs a tensão comercial, com representantes de setores como o de alumínio e o de etanol defendendo a manutenção do livre comércio.

Fonte: ver noticia original

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *