Show interrompido e ameaças: cantora Flay denuncia precariedade e desrespeito em evento no Agreste de Pernambuco

A cantora Flay, ex-participante do Big Brother Brasil, utilizou as redes sociais para denunciar uma série de irregularidades e ameaças durante sua apresentação na festa de São Pedro, realizada em Lagoa do Ouro, no Agreste de Pernambuco. Em vídeos publicados entre a madrugada e a manhã desta terça-feira (30), a artista afirmou que enfrentou problemas na organização do evento, teve o microfone cortado durante o show e relatou intimidações contra sua equipe, expondo fragilidades na gestão de eventos públicos na região.

Segundo o relato de Flay, a estrutura prometida pela organização não foi entregue. A cantora afirmou que o palco apresentava condições precárias, não havia iluminação adequada e o camarim não contava com alimentação para a equipe, apesar das exigências previstas em contrato. A artista também destacou que os sucessivos atrasos na programação prejudicaram o público, que aguardava o início dos shows desde o começo da noite. A situação levanta questionamentos sobre a fiscalização e o cumprimento de contratos em eventos financiados com recursos públicos.

Em um dos vídeos publicados nas redes sociais, Flay aparece discutindo com um produtor do evento ao cobrar explicações sobre a situação. “Nós estamos disponíveis desde as cinco da tarde e vocês atrasam o evento?”, questiona a cantora durante a gravação. A artista decidiu subir ao palco mesmo diante dos problemas estruturais e da forte chuva, cumprindo o compromisso com o público. No entanto, após cerca de 30 a 40 minutos de apresentação, o sistema de som foi desligado sem aviso prévio, interrompendo o show de forma abrupta.

Ameaças e contexto de misoginia

Nas publicações feitas pela equipe da cantora, também foram relatadas supostas ameaças. Em uma das mensagens, a equipe afirmou que estava divulgando os vídeos “para nossa proteção ou para caso aconteça algo com alguém da nossa equipe”. Em outra publicação, os responsáveis pelas redes sociais de Flay acusam um produtor de colocar “o dedo na cara da Flay” e afirmam que o segurança da artista teria sido ameaçado. A equipe também alegou que o responsável pela produção teria dito à mãe da cantora que ela seria humilhada diante do público.

Ainda nas redes sociais, Flay afirmou que o episódio também representa situações de desrespeito enfrentadas por mulheres no meio artístico. Em uma das publicações, escreveu que convive constantemente com misoginia nos bastidores e declarou que não pretende “abaixar a cabeça” diante desse tipo de comportamento. O caso ganha relevância em um contexto nacional de debates sobre assédio e violência de gênero em ambientes de trabalho, especialmente no setor cultural, onde artistas frequentemente enfrentam condições precárias e falta de proteção.

O episódio em Lagoa do Ouro ocorre em meio a um cenário de crescente atenção para a segurança de artistas em eventos públicos no Brasil. Nos últimos anos, casos de shows interrompidos, falta de estrutura e ameaças a profissionais da música têm sido denunciados, gerando cobranças por parte de sindicatos e associações da classe artística. A prefeitura de Lagoa do Ouro ainda não se manifestou oficialmente sobre o ocorrido, mas a repercussão nas redes sociais já mobiliza fãs e entidades em defesa de melhores condições para os trabalhadores da cultura.

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