A Polícia Civil de Pernambuco deflagrou, nesta quinta-feira (26), uma operação para investigar um esquema de corrupção, fraude em licitações e lavagem de dinheiro que teria causado prejuízo de R$ 2,3 milhões aos cofres públicos do Recife, envolvendo contratos de eventos juninos. A investigação, conduzida pela Delegacia de Combate à Corrupção (DCCOR), mira servidores públicos municipais e empresários suspeitos de desviar recursos destinados à realização do São João na capital pernambucana.
De acordo com a Polícia Civil, as fraudes teriam ocorrido entre os anos de 2022 e 2023, período em que contratos para a contratação de artistas, montagem de palcos e infraestrutura de eventos foram superfaturados ou direcionados a empresas de fachada. A operação, denominada “Festa da Corrupção”, cumpre 12 mandados de busca e apreensão em endereços ligados a servidores e empresários, além de determinar o sequestro de bens e valores no montante de R$ 2,3 milhões.
Esquema de desvio de recursos públicos
As investigações apontam que os servidores públicos investigados utilizavam suas posições para favorecer empresas específicas em licitações, mediante pagamento de propina. Os contratos, que somam mais de R$ 5 milhões, teriam sido superfaturados em pelo menos 40%, com recursos desviados para contas pessoais e empresas de parentes e laranjas. A Polícia Civil também identificou movimentações financeiras suspeitas, com depósitos fracionados e transferências para contas no exterior, indicando lavagem de dinheiro.
Entre os alvos da operação estão três servidores da Prefeitura do Recife, lotados na Secretaria de Cultura e na Empresa de Turismo do Recife (RecifeTur), além de dois empresários do setor de eventos. Os nomes não foram divulgados, mas a Polícia Civil informou que todos são investigados por crimes de corrupção ativa e passiva, fraude em licitações, lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Impacto para a gestão municipal
A operação ocorre em um momento de forte pressão sobre a administração municipal do Recife, que já enfrenta outras investigações sobre desvios em contratos de saúde e educação. O prefeito João Campos (PSB) afirmou, em nota, que a gestão “colabora integralmente com as investigações” e que “medidas administrativas serão tomadas caso sejam comprovadas irregularidades”. A oposição, no entanto, cobra transparência e apuração rigorosa dos fatos.
O caso também reacende o debate sobre a fiscalização de contratos públicos em grandes eventos, como o São João, que movimenta milhões de reais anualmente. Especialistas em direito público alertam que a falta de controle interno e a concentração de poder em setores específicos facilitam a ocorrência de fraudes. A Polícia Civil segue com as investigações e não descarta novas fases da operação.
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