Sindicatos da aviação pressionam por redução de jornada e criticam resistência das companhias aéreas

Sindicatos de aeroviários (funcionários de companhias aéreas que trabalham em terra) e aeronautas (pilotos e comissários de bordo) defendem a redução da jornada dos trabalhadores da aviação e reclamam da postura do setor em relação à PEC (proposta de emenda à Constituição) que prevê o fim da escala 6×1, aprovada na Câmara dos Deputados nesta quarta-feira (27). A proposta, que tramita no Congresso Nacional, estabelece uma transição de até cinco anos para a nova escala, conforme sugerido pelo relator da matéria.

As entidades sindicais apontam que a resistência das companhias aéreas à mudança ignora as condições de trabalho exaustivas impostas aos profissionais, que enfrentam longas jornadas e escalas irregulares. Para os sindicatos, a redução da jornada não apenas melhora a qualidade de vida dos trabalhadores, mas também contribui para a segurança operacional, um ponto crítico no setor aéreo.

Panorama político e impactos

A PEC que propõe o fim da escala 6×1, na qual o trabalhador atua por seis dias consecutivos e folga apenas um, ganhou força no Legislativo após intensa mobilização de movimentos sindicais e sociais. O texto aprovado na Câmara dos Deputados prevê um período de transição de até cinco anos para que empresas e trabalhadores se adaptem às novas regras, que devem ser definidas por acordo coletivo. A medida, se sancionada, afetará diretamente setores como o da aviação, onde a escala 6×1 é comum, especialmente entre aeroviários e aeronautas.

As companhias aéreas, por sua vez, argumentam que a redução da jornada pode aumentar custos operacionais e comprometer a competitividade do setor, que já enfrenta desafios como a alta do combustível e a volatilidade da demanda. No entanto, os sindicatos rebatem que a resistência das empresas é infundada, citando estudos que apontam ganhos de produtividade e redução de acidentes com jornadas mais curtas.

O debate ocorre em um contexto de reformas trabalhistas e pressão por melhores condições de trabalho em todo o país. A aprovação da PEC na Câmara representa um avanço para os trabalhadores, mas o texto ainda precisa ser analisado pelo Senado Federal, onde deve enfrentar resistência de setores conservadores e da bancada empresarial. A expectativa é que a tramitação seja acelerada, dada a relevância social da proposta.

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