O Tribunal do Júri de Santarém, no oeste do Pará, condenou Paulo Cesar Neto a 10 anos de prisão em regime fechado pelo assassinato do tio, Ângelo Medeiros Sampaio, de 42 anos. O julgamento ocorreu nesta terça-feira (30), no Fórum da cidade, presidido pelo juiz Gabriel Veloso de Araújo, titular da 3ª Vara Criminal. O conselho de sentença reconheceu a tese de homicídio privilegiado qualificado, e o réu saiu preso do tribunal, devendo aguardar o recurso na prisão.
O crime aconteceu no dia 30 de dezembro de 2023, no bairro da Aldeia, em Santarém. Segundo o Ministério Público, representado pelo promotor Matheus Ravi Rodrigues, o acusado desferiu quatro golpes de faca no pescoço da vítima. A defesa, conduzida pelo advogado Thiago Alexandre Carneiro, sustentou a tese de legítima defesa de terceiros, argumentando que Paulo Cesar interveio em uma briga familiar para proteger a própria mãe, que estava sendo agredida pelo irmão (a vítima).
Durante a sessão do Tribunal do Júri, foram ouvidas oito testemunhas, uma delas de forma remota, além do interrogatório do réu, que respondeu às perguntas da acusação e da defesa. O homicídio ocorreu na Avenida São Sebastião, também no bairro da Aldeia. A Polícia Militar e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foram acionados para atender uma ocorrência de esfaqueamento decorrente de uma briga familiar. Ângelo Medeiros Sampaio foi atingido no pescoço e socorrido, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos, morrendo ao dar entrada no Hospital Municipal Dr. Alberto Tolentino Sotelo.
À época, familiares relataram à polícia que o desentendimento começou dentro da residência e que Paulo Cesar Neto, então com 20 anos, desferiu os golpes para cessar a confusão entre o tio e a mãe. Após o crime, o jovem tentou fugir, mas foi capturado pela PM nas proximidades do local e conduzido à 16ª Seccional Urbana de Santarém. O caso, que envolveu violência doméstica e familiar, levanta debates sobre os limites da legítima defesa e a proteção de vítimas de agressão no âmbito doméstico, especialmente em contextos de conflitos familiares recorrentes na região. Colaborou Ulisses Farias/ TV Tapajós.
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