Tarifaço dos EUA pode impactar em mais de meio bilhão de dólares em exportações no RS, diz levantamento

Após investigação conduzida pelos Estados Unidos sob a Section 301, foi confirmada uma tarifa de 25% sobre produtos do Brasil, que pode impactar em mais de meio bilhão de dólares as exportações do Rio Grande do Sul, conforme levantamento divulgado pela Federação da Agricultura do Estado do Rio Grande do Sul (Farsul). Produtos do agronegócio gaúcho que somaram US$ 541 milhões em vendas aos Estados Unidos em 2025 ficarão sujeitos à nova sobretaxa, valor que representa 70,4% de tudo o que o setor agropecuário do estado vendeu ao país no período.

Considerando todos os setores da economia, a exposição do Rio Grande do Sul é ainda maior. O levantamento aponta que 79% das exportações gaúchas destinadas aos Estados Unidos, equivalentes a US$ 1,3 bilhão, estão na lista de produtos sujeitos à nova tarifa. A cobrança passa a valer para produtos brasileiros que ingressarem no país a partir de 22 de julho de 2026, com exceções para itens incluídos em listas específicas.

Impacto maior que a média nacional

Segundo a análise da Farsul, o impacto proporcional para o Rio Grande do Sul é significativamente maior do que a média nacional. Enquanto 38% das exportações brasileiras aos EUA ficam sujeitas à sobretaxa, no estado o percentual chega a 79%. No agronegócio, a diferença também é expressiva: 32,7% das exportações brasileiras do setor são alcançadas pela medida, contra 70,4% das vendas gaúchas. O estudo atribui essa maior exposição ao perfil da pauta de exportações do estado, que tem participação de produtos considerados sensíveis à tarifa, como fumo, madeira, calçados de couro e sebo bovino.

Produtos mais impactados no agro gaúcho

No agro gaúcho, os produtos que concentram os maiores valores potencialmente impactados são: fumo não manufaturado da variedade Virgínia, com US$ 122 milhões exportados aos EUA em 2025; madeira serrada de pinus (US$ 81 milhões); calçados de couro (US$ 62 milhões); fumo não manufaturado da variedade Burley (US$ 49 milhões); e sebo bovino (US$ 33 milhões). Entre os itens que ficaram isentos da sobretaxa estão ferro-gusa, determinados produtos de madeira, hidróxido de alumínio, couros bovinos, pescados, mel orgânico, café solúvel sem sabor, sucata de ferro e aço e alguns produtos farmacêuticos.

Setores exportadores buscam alternativas

Alguns produtos de madeira ficaram isentos da medida, mas outros estão enquadrados entre os itens sujeitos à tarifa, segundo o levantamento da Farsul. Nesta cadeia, os Estados Unidos representam um mercado relevante para o Rio Grande do Sul, e setores exportadores já buscam alternativas para mitigar os efeitos da sobretaxa, que deve impactar diretamente a competitividade dos produtos gaúchos no mercado norte-americano.

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