Tarifaço: Lula propõe ‘guerra da verdade’ contra Trump e defende soberania brasileira em meio a nova taxação de 25%

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, afirmou nesta sexta-feira (17) que quer travar uma ‘guerra da narrativa, guerra da verdade’ com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após o anúncio de uma nova tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, confirmada na última quarta-feira (15). A declaração ocorre em meio à escalada de tensões comerciais entre os dois países, com a medida norte-americana prevista para entrar em vigor em 22 de julho.

Em pronunciamento, Lula declarou: ‘Eu já falei três vezes para o presidente Trump que o Brasil não tem nenhum interesse de fazer guerra, nós aqui somos da paz. Agora a guerra que quero fazer com ele é a guerra da narrativa, é a guerra da verdade. Eu quero provar ao mundo quem está falando a verdade nessa guerra tarifária entre Brasil e EUA. Ele vai ter que aprender a fazer guerra com outra arma, que é a arma da palavra. Isso nós vamos ter que demonstrar.’

Essa foi a segunda manifestação do presidente sobre a ofensiva comercial de Trump desde o anúncio da medida. Mais cedo, Lula havia afirmado que só comentaria o tarifaço após Trump se pronunciar. Agora, o chefe do Executivo brasileiro reforçou que não permitirá que a sociedade seja enganada pelos Estados Unidos: ‘Porque nós vamos mostrar que contra o Brasil ninguém ganha mentindo. Ou é mais verdadeiro que nós ou não vai enganar a sociedade brasileira.’

Panorama da crise tarifária

O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) confirmou na quarta-feira (15) a proposta de um novo ‘tarifaço’, com uma extensa lista de isenções. Itens como petróleo, café e carne bovina ficarão fora da nova tarifa de 25%. A decisão é resultado de uma investigação comercial do USTR que levou um ano, com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo que permite ao governo americano apurar e combater possíveis barreiras comerciais em outros países. O governo Trump utilizou argumentos econômicos, jurídicos e ambientais para justificar a medida.

A nova tarifa deve atingir 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro para os EUA, segundo a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA). O impacto econômico é significativo, especialmente para setores como o agro, que já enfrenta desafios de competitividade global. A medida amplia a pressão comercial sobre o Brasil, que busca alternativas diplomáticas e comerciais para mitigar os efeitos.

Em outro momento do pronunciamento, Lula enfatizou a posição de soberania do Brasil: ‘Esse país precisa estar de cabeça erguida, porque esse país não aceita que nenhum outro país do mundo faça desaforo para o Brasil. Queremos respeito da mesma forma que damos respeito para todo mundo.’

A crise tarifária ocorre em um contexto de relações bilaterais já marcadas por divergências em temas como meio ambiente e política externa. Enquanto o governo Trump adota uma postura protecionista, o Brasil busca fortalecer parcerias com outros blocos, como o Mercosul e a União Europeia, para diversificar seu comércio exterior. A ‘guerra da verdade’ proposta por Lula reflete a tentativa de reposicionar o Brasil no cenário global, defendendo sua narrativa e interesses econômicos.

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