A transição energética global enfrenta um revés significativo em 2026, conforme revela um relatório do Fórum Econômico Mundial publicado nesta quinta-feira (18). O estudo aponta que o nível global de preparo para implementar energia limpa caiu 0,76% de 2025 para 2026, a maior queda registrada em mais de uma década. A análise indica que o aporte de recursos não é mais suficiente para mover o planeta em direção a uma matriz menos poluente, sinalizando um retrocesso preocupante no combate às mudanças climáticas.
O relatório, intitulado “Energy Transition Index 2026”, avalia o desempenho de 120 países em termos de transição energética, considerando fatores como políticas públicas, infraestrutura, investimentos e inovação. A queda de 0,76% representa uma interrupção na trajetória de crescimento observada desde 2014, quando o índice começou a ser medido. Especialistas do Fórum Econômico Mundial destacam que a desaceleração é impulsionada por uma combinação de fatores, incluindo a volatilidade dos preços dos combustíveis fósseis, a instabilidade geopolítica e a redução de subsídios governamentais para energias renováveis em várias economias.
Panorama político e econômico
O cenário global de 2026 é marcado por tensões comerciais entre grandes potências, como Estados Unidos e China, que têm priorizado a segurança energética de curto prazo em detrimento de metas climáticas de longo prazo. Na Europa, a crise energética desencadeada pelo conflito na Ucrânia levou vários países a reativar usinas a carvão, enquanto na América Latina, a instabilidade política em nações como Brasil e Argentina dificulta a aprovação de marcos regulatórios para energias limpas. O Fórum Econômico Mundial alerta que, sem um esforço coordenado entre governos e setor privado, a transição energética pode sofrer atrasos irreversíveis.
O relatório também aponta que os investimentos globais em energia limpa atingiram US$ 1,8 trilhão em 2025, mas esse valor representa apenas 60% do necessário para cumprir as metas do Acordo de Paris. A queda no índice de preparo reflete, em parte, a dificuldade de países em desenvolvimento em acessar financiamento climático, agravada pela alta das taxas de juros internacionais. O Fórum Econômico Mundial recomenda a criação de mecanismos de financiamento inovadores e a ampliação de parcerias público-privadas para reverter a tendência.
Para o Brasil, que sediará a COP30 em 2025, os dados são um alerta. O país, que possui uma das matrizes energéticas mais limpas do mundo, com destaque para hidrelétricas e biocombustíveis, viu seu índice de preparo cair 1,2% no período, puxado pela redução de investimentos em energia eólica e solar. Apesar disso, o governo brasileiro anunciou recentemente um plano de R$ 200 bilhões para expandir a capacidade de geração renovável até 2030, mas especialistas questionam a viabilidade do cronograma diante do atual cenário fiscal.
O Fórum Econômico Mundial conclui que a transição energética não é apenas uma questão ambiental, mas também de segurança econômica e geopolítica. A queda de 0,76% em 2026 pode ser um ponto de inflexão, exigindo ações imediatas de líderes globais para evitar que o progresso das últimas décadas seja desperdiçado.
Fonte: ver noticia original

