O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) negou, nesta terça-feira, o recurso apresentado pela defesa de Pablo Marçal e manteve a inelegibilidade do ex-coach até 2032. A decisão, tomada pelo presidente do tribunal, também rejeitou o recurso do Ministério Público que buscava reverter a absolvição de Marçal por abuso de poder econômico. A multa de R$ 420 mil aplicada ao influenciador segue mantida.
O julgamento representa mais um capítulo na batalha judicial envolvendo o empresário, que teve seu registro de candidatura contestado nas eleições municipais de 2024. A decisão do TRE-SP consolida o entendimento de que Marçal utilizou de forma irregular influenciadores digitais em sua campanha, o que configurou uso indevido dos meios de comunicação e abuso de poder econômico.
Entendimento do tribunal
Segundo informações do processo, o presidente do TRE-SP fundamentou sua decisão na robustez das provas coletadas durante a investigação. Os magistrados entenderam que a contratação de influenciadores para impulsionar conteúdo eleitoral sem a devida declaração à Justiça Eleitoral caracterizou uma vantagem ilícita sobre os demais candidatos. A rejeição do recurso do Ministério Público, por sua vez, manteve a absolvição de Marçal quanto à acusação específica de abuso de poder econômico, mas não alterou o cenário de inelegibilidade.
O caso ganhou repercussão nacional por envolver um dos nomes mais polêmicos do cenário político recente. A decisão do TRE-SP reforça a jurisprudência sobre a necessidade de transparência total no financiamento de campanhas e no uso de ferramentas digitais para propaganda eleitoral.
Panorama político e jurídico
Esta decisão do TRE-SP se soma a outras ações que tramitam na Justiça Eleitoral contra o ex-coach. A manutenção da inelegibilidade até 2032 impede Marçal de concorrer nas próximas três eleições majoritárias, incluindo o pleito presidencial de 2026, cenário que era especulado por aliados. A multa de R$ 420 mil, agora confirmada, também representa um precedente para casos similares envolvendo o uso de influenciadores.
Especialistas em direito eleitoral apontam que a decisão do tribunal paulista pode influenciar outros processos em andamento no país, especialmente aqueles que tratam da regulamentação do marketing digital nas campanhas. A tendência é que a Justiça Eleitoral seja cada vez mais rigorosa na fiscalização de novas formas de propaganda, como o impulsionamento por terceiros.
Enquanto isso, o cenário político nacional observa os desdobramentos. Em São Paulo, a corrida ao Senado já tem nomes como Marina Silva e Simone Tebet liderando as pesquisas, conforme levantamento da Quaest, mostrando que a disputa eleitoral segue aquecida mesmo com as restrições impostas a alguns candidatos. A decisão do TRE-SP, portanto, não apenas define o futuro político de um indivíduo, mas também sinaliza os limites legais para a atuação de todos os agentes no processo democrático.
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