O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta quinta-feira (26) retomar ataques militares contra o Irã caso o acordo de cessar-fogo firmado entre as partes seja descumprido, em um movimento que eleva a tensão no Oriente Médio e coloca em risco a estabilidade de rotas marítimas estratégicas, como o Estreito de Ormuz. A declaração foi feita durante pronunciamento oficial na Casa Branca, no qual Trump classificou o memorando como “não definitivo” e condicionou a manutenção da trégua ao cumprimento integral dos termos acertados, incluindo a suspensão de atividades nucleares e o recuo de forças iranianas na região do Golfo Pérsico.
Segundo fontes oficiais do governo norte-americano, o acordo provisório, mediado por representantes da ONU e do Qatar, prevê a interrupção de hostilidades por 90 dias, mas Trump deixou claro que qualquer violação — como ataques a embaixadas ou movimentação de mísseis — será respondida com “força esmagadora”. A ameaça ocorre em um contexto de escalada militar, com os EUA realizando bombardeios contra instalações iranianas na Síria e no Iraque nas últimas 48 horas, enquanto forças iranianas fecharam o Estreito de Ormuz, bloqueando cerca de 20% do tráfego global de petróleo, conforme reportagem vinculada ao portal República do Povo.
Panorama político e riscos globais
A crise atual insere-se em um cenário de deterioração das relações entre Washington e Teerã desde 2018, quando Trump retirou os EUA do acordo nuclear multilateral (JCPOA) e impôs sanções econômicas severas. Analistas internacionais apontam que a retomada de ataques poderia desencadear uma guerra regional, envolvendo aliados como Israel e Arábia Saudita, além de impactar diretamente o mercado de energia, com o preço do barril de petróleo já registrando alta de 12% nas bolsas asiáticas. O fechamento do Estreito de Ormuz, controlado pelo Irã, representa uma ameaça direta à economia global, uma vez que por ali transitam cerca de 17 milhões de barris de petróleo por dia, segundo dados da Agência Internacional de Energia.
Enquanto isso, a comunidade internacional reage com cautela. O secretário-geral da ONU, António Guterres, convocou uma reunião emergencial do Conselho de Segurança para discutir a situação, enquanto a União Europeia pediu moderação e o cumprimento do cessar-fogo. No Irã, o presidente Ebrahim Raisi classificou as ameaças de Trump como “chantagem” e afirmou que o país está preparado para defender sua soberania. A crise também repercute no Brasil, onde o governo de Luiz Inácio Lula da Silva monitora os impactos no comércio exterior e na inflação de combustíveis, com o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, sinalizando possível intervenção na política de preços da Petrobras.
Especialistas em relações internacionais ouvidos pelo República do Povo destacam que a postura de Trump reflete sua estratégia de campanha para 2028, buscando projetar força diante de eleitores conservadores. No entanto, alertam que a escalada pode levar a um conflito de proporções imprevisíveis, com riscos de ataques cibernéticos e uso de mísseis de longo alcance. O desfecho dependerá da capacidade de mediação de atores como Rússia e China, que têm interesses econômicos no Irã e podem pressionar por uma solução diplomática.
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