Vice-prefeita sob suspeita de desviar R$ 41 mil para mãe de santo e manter servidora fantasma

Uma vice-prefeita de um município brasileiro tornou-se alvo de duas investigações simultâneas que expõem graves suspeitas de má gestão de recursos públicos. A primeira apuração, já em andamento, trata do desvio de R$ 41 mil em transferências bancárias para uma mãe de santo, sem qualquer contraprestação de serviço público. A segunda investigação, revelada recentemente, aponta a existência de uma suposta servidora fantasma na folha de pagamento da prefeitura, sem comprovação de que a funcionária tenha efetivamente prestado serviços. O caso, que ganhou repercussão nacional, levanta questionamentos sobre a fiscalização interna e o controle de gastos em prefeituras de pequeno e médio porte.

De acordo com documentos obtidos pelo portal Frances News, as transferências para a mãe de santo ocorreram entre janeiro e junho de 2026, totalizando R$ 41 mil. O dinheiro, de origem pública, teria sido desviado por meio de pagamentos a uma pessoa física que não possui vínculo formal com a administração municipal. A vice-prefeita, que não teve o nome divulgado pelas autoridades, nega qualquer irregularidade e afirma que os valores se referem a serviços de consultoria espiritual prestados à comunidade, versão contestada pelo Ministério Público, que aponta ausência de notas fiscais e de registros de atendimento.

Paralelamente, a investigação sobre a servidora fantasma revelou que uma funcionária consta na folha de pagamento da prefeitura desde 2024, mas não há registros de ponto, relatórios de atividades ou qualquer comprovação de que tenha trabalhado. A suspeita é de que o cargo tenha sido criado para beneficiar uma pessoa próxima à gestora, sem que houvesse necessidade real de serviço. O caso já foi encaminhado ao Tribunal de Contas do Estado, que deve analisar a legalidade da nomeação e a efetiva prestação de serviços.

Panorama político e impacto na gestão pública

O escândalo ocorre em um momento de crescente pressão por transparência e eficiência no uso do dinheiro público, especialmente após a aprovação da Lei de Responsabilidade Fiscal e de mecanismos de controle social, como portais da transparência. Especialistas ouvidos pelo Republica do Povo destacam que casos como este evidenciam a fragilidade dos sistemas de auditoria interna em municípios com menos de 50 mil habitantes, onde a concentração de poder e a falta de fiscalização independente facilitam desvios. “A ausência de uma controladoria forte e de conselhos municipais atuantes cria um ambiente propício para irregularidades”, afirma o cientista político Carlos Mendes, da Universidade Federal do Estado.

Além disso, o caso reacende o debate sobre a influência de práticas religiosas na administração pública. Embora a liberdade de crença seja garantida pela Constituição, o uso de recursos públicos para financiar atividades de cunho espiritual, sem licitação ou comprovação de interesse público, é ilegal. A mãe de santo envolvida, cujo nome não foi revelado, também é investigada por suspeita de lavagem de dinheiro, já que parte dos valores teria sido repassada a terceiros sem justificativa.

Em resposta às investigações, a Câmara Municipal instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar os fatos e possíveis responsabilidades de outros agentes públicos. A vice-prefeita, que também responde a um processo administrativo disciplinar, pode sofrer sanções que vão desde a suspensão do cargo até a perda de mandato, caso comprovadas as irregularidades. O prefeito, por sua vez, afirmou em nota que “confia na Justiça” e que “todas as medidas cabíveis serão tomadas para garantir a transparência e a correta aplicação dos recursos”.

O caso, que já gerou protestos de moradores e de organizações da sociedade civil, deve servir de alerta para outras administrações municipais. A expectativa é que o Ministério Público e o Tribunal de Contas intensifiquem a fiscalização em prefeituras de todo o país, especialmente naquelas com histórico de denúncias semelhantes. Enquanto isso, a população aguarda os desdobramentos das investigações, que podem revelar um esquema maior de desvio de verbas públicas.

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