Um vídeo que circula nas redes sociais mostra uma ponte na BR-381, em Minas Gerais, com supostas fissuras e desgaste, gerando alerta entre motoristas e moradores da região. A concessionária Nova 381, responsável pelo trecho, nega risco estrutural e afirma que a manutenção já está prevista no contrato de concessão. O contrato, no valor de mais de R$ 9 bilhões, foi assinado em 2025 pelo então ministro dos Transportes, Renan Filho, hoje pré-candidato ao Governo de Alagoas. A situação reacende o debate sobre a segurança de rodovias concedidas e a fiscalização de obras públicas.
O vídeo, que viralizou nas últimas horas, mostra detalhes de uma ponte na altura do km 450 da BR-381, próximo à cidade de Governador Valadares. Nas imagens, é possível ver o que aparentam ser rachaduras e desgaste no concreto, além de ferros expostos. A concessionária Nova 381, no entanto, emitiu nota oficial afirmando que a estrutura não apresenta risco iminente e que as intervenções necessárias já estão programadas no plano de manutenção da rodovia. A empresa destacou que o contrato de concessão, assinado em 2025, prevê investimentos contínuos em recuperação e modernização da via.
O contrato de concessão da BR-381, no trecho entre Belo Horizonte e Governador Valadares, foi assinado em 2025 pelo então ministro dos Transportes, Renan Filho. O acordo, no valor de mais de R$ 9 bilhões, prevê a duplicação de 303 km, a construção de 30 passarelas, 12 viadutos e 4 túneis, além de serviços de manutenção e conservação. A concessão tem prazo de 30 anos e é considerada uma das maiores do país no setor rodoviário. A assinatura ocorreu em meio a críticas de especialistas sobre a falta de transparência nos critérios de licitação e a capacidade da concessionária de cumprir as metas.
O caso da ponte na BR-381 ocorre em um contexto de crescente preocupação com a segurança de rodovias concedidas no Brasil. Nos últimos anos, acidentes em trechos privatizados, como na BR-101 e na BR-116, levantaram questionamentos sobre a fiscalização das concessionárias e a qualidade das obras. Especialistas apontam que a falta de manutenção preventiva e a demora em reparos emergenciais são problemas recorrentes. A situação também coloca em xeque a atuação do Ministério dos Transportes, que, sob a gestão de Renan Filho, assinou contratos bilionários sem garantir mecanismos eficazes de controle.
O vídeo da ponte na BR-381 gerou reações imediatas de entidades de defesa do consumidor e de associações de motoristas. O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) solicitou à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) uma vistoria urgente no local. Já a Associação dos Usuários da BR-381 cobra a realização de uma auditoria independente para verificar as condições de todas as pontes e viadutos do trecho concedido. A concessionária Nova 381, por sua vez, afirmou que está à disposição da ANTT e que as obras de manutenção serão iniciadas em até 30 dias, conforme cronograma contratual.
O episódio também tem implicações políticas, já que Renan Filho, ex-ministro dos Transportes e hoje pré-candidato ao Governo de Alagoas, é um dos principais articuladores do governo Lula no Nordeste. A assinatura do contrato da BR-381 foi um dos marcos de sua gestão, mas agora enfrenta questionamentos sobre a qualidade dos serviços prestados. A oposição já utiliza o caso para criticar a política de concessões do governo federal, enquanto aliados defendem que os problemas são pontuais e serão resolvidos dentro do contrato. A situação deve ser tema de debates no Congresso e nas campanhas eleitorais de 2026.
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