PF deflagra nova fase de operação contra ‘Careca do INSS’ e apreende carros de luxo em investigação de fraudes milionárias

A Polícia Federal (PF) deflagrou, nesta segunda-feira (26), uma nova fase da operação que investiga o esquema de fraudes em descontos associativos sobre benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), conhecido como ‘Careca do INSS’. A ação, autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), resultou na apreensão de carros de luxo e no cumprimento de mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao grupo criminoso.

De acordo com as investigações, o esquema consistia em descontos indevidos, feitos sem autorização dos segurados, em benefícios previdenciários e assistenciais. Os valores desviados eram repassados a empresas de fachada e a pessoas físicas envolvidas na trama. A nova fase da operação mira a obtenção de provas adicionais e a identificação de novos envolvidos, além de aprofundar o rastreamento do patrimônio adquirido com os recursos ilícitos.

Os carros de luxo apreendidos, entre eles modelos de marcas como BMW, Mercedes-Benz e Porsche, foram localizados em garagens de imóveis residenciais e comerciais em Brasília (DF), São Paulo (SP) e Goiânia (GO). A PF estima que o valor total dos veículos ultrapasse R$ 2 milhões. Além dos automóveis, foram apreendidos documentos, computadores e celulares que podem conter informações sobre o fluxo financeiro do grupo.

O esquema, que já havia sido alvo de operações anteriores, ganhou notoriedade após a prisão de João Henrique Caldas (JHC), apontado como líder do grupo e conhecido como ‘Careca do INSS’. JHC, que atualmente é pré-candidato ao governo de Alagoas para as eleições de 2026, já havia sido alvo de mandados de prisão preventiva em fases anteriores da investigação. A defesa de JHC nega as acusações e afirma que ele é vítima de perseguição política.

O panorama político em Alagoas é marcado por disputas acirradas entre grupos tradicionais e novas lideranças. A investigação da PF, que atinge figuras com pretensões eleitorais, pode influenciar o cenário sucessório no estado, especialmente porque o esquema envolve recursos públicos destinados a aposentados e pensionistas, parcela significativa do eleitorado local. A operação também levanta questionamentos sobre a atuação de intermediários e a fiscalização dos descontos associativos no INSS.

A PF informou que as investigações continuam e que novas fases da operação não estão descartadas. O STF, que autorizou os mandados, acompanha o caso de perto, dada a complexidade e o volume de recursos envolvidos. A expectativa é que, nos próximos dias, sejam divulgados mais detalhes sobre o esquema e os valores totais desviados.

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