O zagueiro francês Ibrahima Konaté revelou nesta quarta-feira (3) que enfrentou um quadro de depressão após a morte de seu pai e do ex-companheiro de Liverpool, Diogo Jota. Em entrevista à rádio France Inter, o defensor afirmou que o sofrimento emocional o levou a buscar ajuda profissional, destacando a fragilidade psicológica de atletas de alto rendimento diante de perdas pessoais. O caso reacende o debate sobre saúde mental no esporte, tema frequentemente negligenciado em meio à pressão por resultados imediatos.
Konaté, de 24 anos, detalhou que as mortes ocorreram em um curto intervalo de tempo, agravando seu estado emocional. O pai do jogador faleceu em 2022, enquanto Diogo Jota, atacante português que atuou ao lado do zagueiro no Liverpool, morreu em um acidente de carro em 2023. O defensor francês descreveu o período como “um dos mais difíceis da minha vida”, com sintomas como insônia, perda de apetite e isolamento social. “Eu não conseguia treinar, não conseguia falar com ninguém. O futebol, que sempre foi minha válvula de escape, virou um peso”, disse Konaté.
Pressão no futebol de elite e saúde mental
O relato de Ibrahima Konaté se soma a uma série de casos recentes de atletas que expuseram problemas psicológicos, como o atacante brasileiro Richarlison e o goleiro alemão Marc-André ter Stegen. Especialistas apontam que a cultura do futebol profissional, marcada por cobranças constantes e rotina exaustiva, agrava quadros de ansiedade e depressão. “Os clubes precisam investir em suporte psicológico contínuo, não apenas em momentos de crise”, afirmou a psicóloga esportiva Ana Beatriz Oliveira, em entrevista ao portal República do Povo.
O Liverpool, clube de Konaté, emitiu nota de apoio ao jogador, destacando que oferece assistência psicológica a todos os atletas. A Federação Francesa de Futebol também se manifestou, reforçando a importância de cuidados com a saúde mental. “Estamos ao lado do Ibrahima e de todos os jogadores que enfrentam desafios emocionais”, declarou o presidente da entidade, Philippe Diallo.
Impacto no cenário esportivo e político
O caso de Ibrahima Konaté ocorre em um momento em que o futebol mundial discute a criação de protocolos obrigatórios de saúde mental. Na França, o governo anunciou em 2024 um programa de apoio psicológico para atletas de alto rendimento, com investimento de 5 milhões de euros. Já no Brasil, a Câmara dos Deputados analisa o Projeto de Lei 4.567/2023, que obriga clubes de futebol a manterem equipes multidisciplinares de saúde mental. “A depressão não escolhe posição em campo. Precisamos de políticas públicas que protejam todos os atletas”, afirmou o deputado federal Pedro Campos (PSB-PE), relator do projeto.
Enquanto isso, Ibrahima Konaté segue em tratamento e já retomou os treinos com o Liverpool. O jogador espera que seu depoimento incentive outros atletas a buscarem ajuda. “Não tenho vergonha de falar sobre isso. Quero que as pessoas saibam que não estão sozinhas”, concluiu.
Fonte: ver noticia original

