Zema defende críticas a Flávio Bolsonaro e Vorcaro, e pede investigação ampla contra corrupção

O ex-governador de Minas Gerais e atual pré-candidato à Presidência da República, Romeu Zema (Novo), afirmou nesta quarta-feira (24) não se arrepender de seu posicionamento crítico em relação às conversas reveladas entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Em entrevista ao SBT News, Zema declarou ser “sempre uma pessoa coerente” e que não poderia aplaudir “alguém que se envolveu com aquele banqueiro bandido”. A declaração ocorre em meio à repercussão da Operação Compliance Zero, que investiga supostos esquemas de corrupção envolvendo o Banco Master e figuras políticas de diferentes espectros.

Questionado sobre o impacto dos vazamentos no eleitorado de direita, Zema afirmou que sua estratégia não é necessariamente capturar esses votos, mas percorrer o país para se tornar mais conhecido nacionalmente. “Eu sei que sou pouco conhecido em outras regiões, e isso aconteceu comigo em 2018”, disse, lembrando do pleito que o elegeu governador em Minas Gerais. O ex-governador destacou que tem viajado ao Nordeste e ao Sul do país e investido nas redes sociais para ampliar sua base de apoio.

Panorama político e investigações

Em um cenário marcado por escândalos que envolvem tanto o campo governista quanto a oposição, Zema defendeu uma postura de investigação ampla e sem favorecimentos. Questionado sobre a Operação Compliance Zero e seus possíveis desdobramentos para a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Zema afirmou ser favorável a investigações amplas. Disse que, se fosse presidente, determinaria a apuração de tudo sem “colocar pano quente”. “O brasileiro está cansado de político rico, povo pobre, Brasília no luxo e Brasil no lixo”, declarou, reforçando um discurso de combate à corrupção que atravessa as legendas.

Sobre a família Vorcaro, originária de Minas Gerais, Zema afirmou que, apesar de ter vivido na mesma cidade que Henrique Vorcaro e participar do meio empresarial, jamais teve contato com ele, nem como empresário, nem como governador. “Assombração sabe para quem vai aparecer, e para mim ela não apareceu. Mas lá em Brasília, ele encontrou um campo muito fértil”, afirmou, em referência ao suposto trânsito político do banqueiro na capital federal.

Balanço em Minas Gerais e alianças

O governador aproveitou para fazer um balanço de sua gestão em Minas Gerais, afirmando que o PT “está enterrado” no estado e não lançará candidato ao governo em 2026, assim como não lançou em 2022. Para a disputa estadual, Zema sinalizou apoio a Mateus Simões e avaliou que a polarização que persiste no cenário nacional já foi superada em Minas. A declaração contrasta com o cenário nacional, onde a polarização entre Lula e Bolsonaro ainda domina as pesquisas de intenção de voto.

Ao ser questionado sobre possíveis atritos dentro do Partido Novo em razão de seu posicionamento, Zema admitiu a existência de “opiniões divergentes”, mas minimizou o impacto. “Até com esposa a gente diverge, o que dizer de quem é do mesmo partido”, disse. Reafirmou, no entanto, que o Novo cresceu expressivamente em Minas nas eleições municipais e que o partido tem aliados no PL em estados do Sul, apoia Tarcísio de Freitas em São Paulo e estará junto com o PSD em Minas Gerais. A declaração evidencia a tentativa de Zema de construir uma base ampla, sem romper com setores da direita tradicional.

Por fim, Zema voltou a criticar os envolvidos com o Banco Master e disse não temer consequências jurídicas por suas declarações. Afirmou já ter sido intimado pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e que está disposto a prestar esclarecimentos. A postura do ex-governador reforça sua estratégia de se posicionar como uma alternativa “limpa” em meio a um ambiente político contaminado por denúncias de corrupção que atingem tanto o governo Lula quanto a oposição bolsonarista.

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