O candidato à Presidência da República Romeu Zema (Novo) rejeitou adotar no Brasil as medidas de combate ao crime implementadas pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele, apesar de elogiar os resultados do modelo salvadorenho. Em sabatina promovida pelo g1 e pela GloboNews nesta quarta-feira (6), Zema também defendeu uma intervenção federal permanente na segurança pública do Rio de Janeiro, com duração de 10 a 20 anos, até que facções deixem de controlar territórios.

Questionado sobre o que faria de diferente das intervenções anteriores, Zema respondeu: “Tudo. Por exemplo, com a intervenção que teve aqui, como eu falei, é igual alguém que está fazendo um tratamento de câncer, que faz rádio e quimioterapia por seis meses e acha que está curado. Vai ter de ter um acompanhamento para sempre.”

Intervenção de longo prazo e apoio federal

Segundo o ex-governador de Minas Gerais, uma nova ação teria de durar até que as facções deixassem de controlar territórios no estado. Ele citou um período de dez, 15 ou 20 anos e afirmou que o governo federal daria “todo o apoio” ao Rio de Janeiro. O candidato não informou quando decretaria a intervenção caso fosse eleito, mas disse que a medida seria discutida com o novo governador e com o prefeito, além de especialistas e representantes da sociedade civil.

“Será algo tratado com o novo governador, com a anuência do novo governador e do prefeito. Tenho certeza de que eles vão querer. Isso vai ser feito a quatro mãos, com especialistas e com a sociedade civil”, declarou.

Crime organizado e perdas bilionárias

Zema citou a situação da Light para justificar a retomada de áreas controladas por organizações criminosas. Segundo ele, um executivo afirmou que 52% da energia fornecida pela companhia não é paga e que o crime organizado arrecada R$ 1 bilhão por ano. “Enquanto não tiver retomada dos territórios, o crime organizado está recebendo R$ 1 bilhão por ano e se expandindo”, afirmou.

Inspiração em Bukele, mas sem cópia

Zema também disse que se inspira no modelo de segurança adotado pelo presidente de El Salvador, Nayib Bukele. Questionado, porém, sobre medidas implementadas no país, ele rejeitou prisões sem mandado, ampliação do período de detenção sem ordem judicial, restrições ao habeas corpus e ao acesso a advogados, julgamentos coletivos e prisões baseadas em denúncias anônimas, local de residência ou tatuagens.

Ao explicar o que pretende aproveitar do modelo salvadorenho, o candidato afirmou que quer elevar o “custo do crime”, retomar áreas controladas por facções e ampliar o sistema prisional. “Hoje, o custo do crime no Brasil está aqui no chão. Está valendo a pena ser criminoso no Brasil. Vamos co”, declarou, sem completar a frase na íntegra.

O debate sobre segurança pública ganha relevância nas eleições de 2026, com candidatos apresentando propostas que variam entre endurecimento penal e ações sociais. A posição de Zema, que combina elogios a Bukele com rejeição a medidas extremas, reflete a busca por um equilíbrio entre eficácia e garantias legais, em um cenário onde a violência urbana e o avanço do crime organizado são preocupações centrais do eleitorado.

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