O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, divulgou um ofício, datado desta terça-feira (2), endereçado ao secretário de Estado americano, Marco Rubio, um dia após a conclusão de uma investigação sobre práticas comerciais brasileiras e a proposta de uma tarifa de 25% ao Brasil. No documento, redigido em inglês, Flávio manifesta preocupação com a possibilidade de novas tarifas contra o Brasil, destacando que o país enfrenta uma crise fiscal, com dívida pública acima de 80% do Produto Interno Bruto, e altos níveis de endividamento de cidadãos e empresas. Ele solicita a não imposição das tarifas recomendadas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos e agradece a decisão dos EUA de incluir as facções Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) na lista de grupos terroristas.
A carta de Flávio Bolsonaro a Marco Rubio ocorre em um contexto de tensão comercial entre Brasil e Estados Unidos, com a investigação da Seção 301 apontando para possíveis barreiras comerciais brasileiras. O senador argumenta que novas tarifas podem prejudicar ainda mais a população brasileira, já afetada por uma deterioração fiscal e econômica. Ele cita que a dívida bruta do governo geral ultrapassou R$ 10,4 trilhões em abril, com projeções de mercado apontando para um recorde de 83,7% do PIB. O endividamento recorde dos brasileiros, tema que aquece a disputa presidencial de 2026, é um dos pontos centrais do documento, que busca sensibilizar o governo americano para os impactos sociais e econômicos de uma eventual tarifa.
No campo político, a iniciativa de Flávio Bolsonaro ocorre em meio a um cenário de aquecimento eleitoral para 2026, com o governo Lula reagindo à classificação de facções como terroristas pelos EUA e defendendo a soberania nacional. Enquanto isso, o PL, partido de Flávio, define estratégias cruciais para as eleições em estados como Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, com declarações do senador agitando a disputa interna. A carta a Rubio também reflete a tentativa de Flávio de se posicionar como interlocutor internacional, em contraste com a postura do governo federal, que não agradou à base bolsonarista ao criticar a classificação das facções.
O documento, que teve sua íntegra divulgada pelo senador, inclui agradecimentos pela recepção em Washington e reforça a amizade entre as nações baseada em valores compartilhados. Flávio destaca que a decisão de designar PCC e CV como organizações terroristas foi celebrada pela esmagadora maioria do povo brasileiro, embora não tenha agradado ao governo atual. A carta, no entanto, não menciona a possibilidade de retaliação comercial, focando em um apelo direto para que as tarifas não sejam impostas, dentro do prazo legal que se encerra em julho.
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