Importações de dispositivos médicos superam US$ 11 bilhões e expõem fragilidade da indústria nacional

As importações brasileiras de dispositivos médicos superaram a marca de US$ 11 bilhões em 2025, revelando a forte dependência do país em relação a equipamentos estrangeiros e as limitações da indústria nacional. O dado consta no Relatório Setorial 2026 da Abimo (Associação Brasileira da Indústria de Dispositivos Médicos), que aponta para um cenário de preocupação entre as empresas do setor.

De acordo com a Abimo, o volume de importações atingiu US$ 11 bilhões no ano passado, um recorde que acendeu alertas sobre a capacidade produtiva interna. O mercado de tecnologia médica como um todo movimentou cerca de R$ 80 bilhões no Brasil em 2025, conforme dados da Folha de S.Paulo, mas a fatia de produtos importados continua a crescer, pressionando a balança comercial e a competitividade da indústria local.

O levantamento da Abimo destaca que, apesar dos investimentos em inovação e da existência de polos tecnológicos no país, a produção nacional ainda não consegue atender à demanda por equipamentos de alta complexidade, como aparelhos de ressonância magnética, tomógrafos e dispositivos cirúrgicos avançados. Empresas do setor apontam que a falta de incentivos fiscais, a burocracia para registro de novos produtos e a concorrência com gigantes internacionais são os principais entraves.

Panorama político e econômico

O cenário de dependência externa ocorre em meio a um debate mais amplo sobre a reindustrialização do Brasil. O governo federal tem anunciado medidas para fortalecer a cadeia produtiva de saúde, como a Nova Indústria Brasil e o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) na área de ciência e tecnologia, mas os resultados ainda são tímidos. Especialistas ouvidos pelo Portal República do Povo alertam que, sem uma política industrial robusta e de longo prazo, o país continuará refém de importações, o que pode comprometer o acesso da população a tecnologias médicas em momentos de crise cambial ou de ruptura de cadeias globais.

A Abimo reforça que o dado de US$ 11 bilhões não é apenas um número, mas um sinal de que o Brasil precisa urgentemente de um plano estratégico para o setor. A entidade defende a criação de linhas de crédito específicas, desoneração tributária para insumos e componentes nacionais, e maior integração entre universidades, centros de pesquisa e empresas. Enquanto isso, o mercado segue aquecido, com a expectativa de que as importações continuem a crescer nos próximos anos, a menos que haja uma mudança estrutural na política industrial do país.

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