A Quinta Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou, nesta terça-feira (9), o pedido de liberdade da influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra, presa preventivamente desde 21 de maio sob suspeita de lavagem de dinheiro e associação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). A decisão, unânime entre os ministros Ribeiro Dantas, Joel Ilan Paciornik e Messod Azulay Neto, baseou-se no entendimento de que o STJ não pode intervir no momento, pois outros pedidos de liberdade ainda tramitam nas instâncias inferiores, como o Tribunal de Justiça de São Paulo.
A investigação, conduzida pelo Ministério Público de São Paulo e pela Polícia Civil de São Paulo, aponta que Deolane Bezerra movimentou R$ 13,6 milhões entre 2018 e 2022 em suas contas pessoais, enquanto outras R$ 14 milhões passaram por três empresas ligadas a ela. Segundo os investigadores, a origem dos recursos é considerada “espúria”, e foram identificadas empresas fantasmas em nome da influenciadora, localizadas em cidades do interior paulista, próximas ao presídio de Presidente Venceslau, que dividem o mesmo endereço com dezenas de outras firmas de fachada.
Defesa alega falta de fundamentos e pede prisão domiciliar
Os advogados de Deolane Bezerra argumentaram ao STJ que a prisão preventiva não se enquadra nos requisitos legais, alegando ausência de risco concreto à ordem pública, à instrução criminal ou à aplicação da lei penal. A defesa também destacou que as provas já estão sob poder das autoridades e que a prisão deveria ser substituída por domiciliar, uma vez que a influenciadora é mãe de uma criança de 9 anos e seria a única responsável pelos cuidados. Além disso, os advogados apontaram que os fundamentos da prisão foram genéricos, sem individualizar reiteração delitiva, destruição de provas ou risco de fuga, e que os fatos investigados datam de 2018 a 2021. Como alternativas, sugeriram medidas cautelares como entrega do passaporte, proibição de deixar a cidade e vedação de contato com outros investigados.
Panorama político e jurídico do caso
A decisão do STJ ocorre em meio a um contexto de endurecimento no combate ao crime organizado, especialmente em casos que envolvem lavagem de dinheiro e facções criminosas como o PCC. A operação que prendeu Deolane Bezerra faz parte de uma série de ações do Ministério Público de São Paulo e da Polícia Civil para desarticular esquemas financeiros ligados ao tráfico de drogas. O caso ganhou repercussão nacional por envolver uma figura pública de grande visibilidade, o que levanta debates sobre a responsabilidade de influenciadores digitais e a necessidade de transparência em transações financeiras. A defesa nega qualquer envolvimento com o crime organizado e afirma que todos os recebimentos são declarados e justificados, mas os investigadores sustentam que as evidências apontam para a participação da influenciadora em um esquema de lavagem de dinheiro.
O pedido de liberdade havia sido inicialmente rejeitado pela Presidência do STJ, que entendeu que o habeas corpus não poderia ser analisado enquanto o caso não fosse totalmente julgado pelo Tribunal de Justiça de São Paulo. Após recurso da defesa, a Quinta Turma manteve a decisão, negando o pedido por unanimidade. A influenciadora permanece presa preventivamente, enquanto as investigações continuam em andamento.
Fonte: ver noticia original

