O Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU) iniciaram apuração conjunta sobre o avanço de resorts e empreendimentos turísticos de luxo sobre territórios tradicionalmente ocupados por comunidades de pescadores no município de Porto de Pedras, no Litoral Norte de Alagoas. As investigações, que incluem inspeções de campo em áreas de Termos de Autorização de Uso Sustentável (TAUS) e a instalação de uma mesa de mediação com o prefeito Allan de Jesus, buscam coibir restrições de acesso à praia e garantir os direitos territoriais das populações tradicionais, em um cenário de crescente pressão imobiliária e turística na região.
As inspeções realizadas pelo MPF e pela DPU nas áreas de TAUS, que são instrumentos legais que garantem o uso sustentável de terras da União por comunidades tradicionais, identificaram indícios de que resorts e condomínios de alto padrão estariam avançando sobre esses territórios, limitando o acesso dos pescadores às praias e aos recursos naturais dos quais dependem para sua subsistência. A situação é agravada pela falta de regularização fundiária e pela ausência de fiscalização efetiva, o que tem gerado conflitos e ameaças à segurança alimentar e cultural das comunidades.
Mediação com a Prefeitura e impactos locais
A mesa de mediação com o prefeito Allan de Jesus foi estabelecida como um espaço de diálogo para buscar soluções consensuais que conciliem o desenvolvimento turístico com a proteção dos direitos das comunidades pesqueiras. O MPF e a DPU cobram da gestão municipal a adoção de medidas concretas para garantir o cumprimento das TAUS e a manutenção do acesso livre às praias, que é um direito constitucional e um patrimônio coletivo. A prefeitura, por sua vez, alega que busca equilibrar os interesses econômicos com a preservação ambiental e social, mas enfrenta pressão de investidores do setor hoteleiro.
O avanço de resorts sobre terras de pescadores em Porto de Pedras insere-se em um panorama mais amplo de conflitos fundiários e ambientais no Litoral Norte de Alagoas, onde o turismo de luxo tem se expandido rapidamente, muitas vezes à custa da expulsão de comunidades tradicionais e da degradação de ecossistemas costeiros. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam que a região concentra um dos maiores índices de desigualdade social do estado, enquanto empreendimentos imobiliários de alto padrão se multiplicam. Organizações da sociedade civil, como a Associação dos Pescadores de Porto de Pedras, denunciam que as restrições de acesso à praia violam direitos humanos e ameaçam a identidade cultural das comunidades, que dependem da pesca artesanal para sobreviver.
O MPF e a DPU já notificaram os responsáveis pelos resorts para que apresentem documentação que comprove a legalidade das ocupações, e uma audiência pública deve ser convocada para discutir o caso com a participação das comunidades afetadas. A expectativa é que a mediação com a prefeitura resulte em um termo de compromisso que estabeleça regras claras para o uso do solo e a proteção das áreas de TAUS, além de mecanismos de fiscalização e punição para eventuais irregularidades. Enquanto isso, os pescadores seguem mobilizados, temendo que o avanço do turismo de luxo os expulse definitivamente de suas terras ancestrais.
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