Ministro cita ‘atropelos’ de terceiros em negociações com EUA sobre tarifas e afirma que governo ‘corre contra o tempo’ por consenso

O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, Márcio Elias Rosa, afirmou nesta quinta-feira (2) que alguns “atropelos” provocados por terceiros têm atrapalhado as negociações entre o Brasil e os Estados Unidos em torno do tarifaço anunciado pelo presidente Donald Trump. Mas acrescentou que a determinação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é que o governo “nunca” abandone a mesa de diálogo, correndo contra o tempo para alcançar um consenso que evite prejuízos econômicos mais amplos.

As declarações foram feitas durante entrevista coletiva em Brasília, após reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social. Segundo Elias Rosa, as interferências externas — que não foram detalhadas nominalmente — têm gerado ruídos nas tratativas bilaterais, dificultando a construção de um acordo que minimize os impactos das tarifas impostas por Trump sobre produtos brasileiros, como aço, alumínio e carne bovina. O ministro destacou que o governo brasileiro busca uma solução negociada, mas enfrenta resistências de setores nos EUA que pressionam por medidas protecionistas.

Panorama político e econômico

O impasse ocorre em um momento de tensão comercial global, com Trump adotando uma postura agressiva em relação a parceiros comerciais, incluindo aliados históricos. Para o Brasil, as tarifas representam uma ameaça direta a setores estratégicos, como a indústria siderúrgica e o agronegócio, que juntos respondem por bilhões de dólares em exportações anuais. Especialistas apontam que, sem um acordo, o país pode perder competitividade no mercado norte-americano, enquanto os EUA buscam reduzir seu déficit comercial.

O governo Lula tem adotado uma estratégia de diálogo intenso, com reuniões de chancelaria e contatos diretos entre representantes do Ministério das Relações Exteriores e da Casa Branca. No entanto, a falta de avanços concretos gera apreensão no setor produtivo, que cobra respostas rápidas. Elias Rosa reiterou que o Brasil não pretende romper relações, mas que é necessário “correr contra o tempo” para evitar que as tarifas se consolidem como barreira permanente.

Enquanto isso, a oposição no Congresso critica a condução das negociações, acusando o governo de falta de firmeza. Já aliados defendem a paciência diplomática, lembrando que acordos comerciais complexos exigem tempo. O cenário, portanto, permanece incerto, com impactos potenciais sobre empregos e investimentos nos dois países.

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