O Batalhão de Polícia do Exército (BPE) informou nesta segunda-feira (6) ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que entregou à Polícia Federal (PF) as armas de fogo registradas em nome do ex-presidente Jair Bolsonaro. O batalhão também comunicou que duas das oito armas não foram entregues porque não estavam sob sua custódia, conforme ofício enviado ao STF.
A entrega ocorre após decisão do ministro Alexandre de Moraes, que determinou, em 48 horas, que o Exército repassasse à PF todo o arsenal de Jair Bolsonaro. A defesa do ex-presidente havia admitido a existência de oito registros de armas, mas o BPE afirma que apenas seis estavam em seu poder. As duas armas desaparecidas não foram localizadas nos registros do batalhão, o que levanta questionamentos sobre a rastreabilidade do armamento.
Panorama político e jurídico
O caso insere-se em um contexto mais amplo de investigações sobre a posse e o uso de armas por Jair Bolsonaro, que já foi alvo de ações judiciais relacionadas ao porte de armas e à suposta interferência em órgãos de controle. A decisão de Alexandre de Moraes foi motivada por indícios de que o ex-presidente poderia estar utilizando o arsenal de forma irregular, o que levou o STF a exigir a transferência imediata das armas para a PF.
O sumiço de dois registros agrava a situação, pois sugere que parte do arsenal pode estar em posse de terceiros ou ter sido extraviada. A Polícia Federal agora investiga o paradeiro dessas armas, enquanto o Exército tenta justificar a falta de controle sobre os registros. A defesa de Jair Bolsonaro ainda não se manifestou oficialmente sobre o ocorrido.
O episódio reforça as tensões entre os Poderes e expõe fragilidades no sistema de controle de armas no Brasil, especialmente quando envolvem figuras políticas de alto escalão. A entrega parcial do arsenal e a falta de duas armas podem ter implicações legais para o ex-presidente, que já enfrenta outras investigações no STF.
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