Uma investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) revelou que cinco integrantes da família Paroschi Jafar, ligada à Gráfica Alvorada e outras empresas do setor gráfico, são suspeitos de integrar uma organização criminosa que fraudou mais de R$ 27 milhões em compras de livros didáticos. O esquema, alvo da Operação Gutenberg, envolvia a pressão sobre prefeituras do estado para adquirirem os livros produzidos pelo grupo em troca da liberação de vagas na Central Estadual de Regulação para exames, consultas e cirurgias. A ação foi deflagrada na última terça-feira (7) e resultou na prisão de quatro suspeitos, enquanto um quinto segue foragido.
Entre os investigados estão a empresária Rossana Paroschi Jafar, apontada pelo MPMS como um dos elos do grupo, seus filhos Olívia, Felipe e Giovanni Paroschi Jafar, e a ex-nora Rhayane Souza Fanaia. Rossana, Olívia e Felipe estão presos em Campo Grande. Rhayane foi detida em Goiás, enquanto Giovanni teve a prisão preventiva decretada, mas ainda não foi localizado e é considerado foragido, conforme apuração do g1. A defesa dos envolvidos não foi localizada para comentar o caso.
Esquema envolvia servidores da saúde e condicionava vagas hospitalares
Segundo as investigações, servidores da Saúde estadual condicionavam a liberação de vagas para hospitais, exames e cirurgias à compra dos livros didáticos vendidos pelo grupo familiar. A prática configura crime de fraude e corrupção, com impacto direto na saúde pública, já que pacientes dependiam dessas vagas para atendimento. O MPMS apura ainda os danos causados à saúde da população, que pode ter sofrido com atrasos e restrições no acesso a serviços essenciais.
Rossana Paroschi Jafar, cirurgiã-dentista e empresária ligada à Gráfica Alvorada, foi presa na operação por suspeita de participação no esquema e também por possuir munições em casa. Na quinta-feira (9), ela teve liberdade provisória aprovada pela Justiça no processo referente às munições, mas continua presa em decorrência da investigação da fraude. A empresária é viúva de Mirched Jafar Júnior, ex-dono da gráfica, e sua atuação no ramo gráfico a colocou como peça-chave no esquema.
Panorama político e judicial
A Operação Gutenberg expõe um esquema que envolve não apenas o setor privado, mas também servidores públicos estaduais, levantando questionamentos sobre a fiscalização e a transparência nas compras públicas e na regulação da saúde. O caso ganhou repercussão nacional e reforça a necessidade de investigações aprofundadas sobre fraudes em licitações e desvios de recursos públicos. A Justiça de Mato Grosso do Sul mantém nove suspeitos presos, incluindo ex-prefeitos, médicos e advogados, todos ligados ao esquema de R$ 27 milhões.
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