O governo brasileiro divulgou nesta quinta-feira (16) uma nota contestando os argumentos do governo Trump para aplicar o novo tarifaço de 25% contra o Brasil. A tarifa adicional contra os produtos brasileiros foi confirmada na madrugada desta quinta-feira, e a medida entrará em vigor em 22 de julho. Entre os fatores usados pelos Estados Unidos estão o Pix, ações do Supremo Tribunal Federal (STF) contra big techs, desmatamento e corrupção. No documento, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que iniciará imediatamente os trâmites previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional no ano passado.
A Lei de Reciprocidade é um mecanismo que permite a um país aplicar a outra nação as mesmas medidas, restrições ou tarifas que sofreu por parte dela. Na prática, se um governo estrangeiro impõe sanções ou barreiras unilaterais injustas, o Brasil usa a norma para reagir na mesma moeda, adotando restrições equivalentes para reequilibrar as relações e proteger a economia.
Argumentos dos EUA e respostas do Brasil
Segundo o Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, na sigla em inglês), o tarifaço é resultado de uma investigação que concluiu que várias práticas do Brasil são consideradas injustificáveis e discriminatórias, restringindo a competitividade de agricultores, trabalhadores, inovadores e exportadores americanos. O governo brasileiro contestou cada um dos pontos levantados.
Sobre o Pix, o USTR afirmou que o Banco Central brasileiro desfavoreceu provedores de serviços de pagamentos eletrônicos dos EUA, ao mesmo tempo em que favorece seu sistema nacional. O Brasil argumenta que o sistema de pagamento é destinado a ampliar o acesso da população e das empresas a meios de pagamento modernos, seguros e instantâneos. Além disso, afirmou que mesmo após o lançamento do Pix, o uso de cartões de crédito cresceu 150% entre 2019 e 2024. O sucesso do Pix tem despertado interesse internacional e consolidado o Brasil como referência global em pagamentos instantâneos. Desde 2021, 47 bancos centrais solicitaram apoio técnico do Banco Central do Brasil para desenvolverem seus próprios sistemas.
Em relação à corrupção no Brasil, o governo brasileiro rejeitou as alegações, destacando os avanços institucionais no combate à corrupção nos últimos anos. Quanto às ações do STF contra as big techs, o Brasil defendeu a atuação do Judiciário como legítima e necessária para garantir a soberania nacional e o cumprimento das leis brasileiras, especialmente no que tange à regulação de plataformas digitais.
Sobre o tratamento injusto na política de tarifas brasileira, o governo argumentou que as tarifas brasileiras seguem as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC) e que os EUA também adotam medidas protecionistas. Em relação à proteção inadequada à propriedade intelectual, o Brasil afirmou que cumpre os acordos internacionais e que há canais de diálogo abertos para tratar do tema.
Quanto às tarifas sobre o etanol, o governo brasileiro destacou que o produto brasileiro é competitivo e que as tarifas americanas são desproporcionais. Por fim, sobre o desmatamento, o Brasil reafirmou seu compromisso com a preservação ambiental e destacou as políticas de redução do desmatamento na Amazônia nos últimos anos.
Panorama político e econômico
A imposição do tarifaço ocorre em um contexto de tensões comerciais globais, com os EUA adotando medidas protecionistas sob o governo Trump. A reação brasileira, com a ativação da Lei de Reciprocidade, sinaliza uma postura firme do governo Lula na defesa dos interesses nacionais. A medida deve impactar diversos setores da economia brasileira, como o agronegócio, a indústria e o comércio exterior, e pode gerar retaliações comerciais que afetem as relações bilaterais.
Para mais informações sobre as reações políticas ao tarifaço, leia: Pré-candidatos à Presidência reagem ao novo tarifaço de Trump sobre produtos brasileiros. Sobre o cenário político em Alagoas, confira: Raio-X do eleitorado alagoano expõe forças e resistências de JHC e Renan Filho no governo de Alagoas. Em relação a temas de soberania e segurança, veja: Eduardo Bolsonaro defende sanção dos EUA contra Alexandre de Moraes após restrição a visitas de Flávio e Itamaraty alerta para risco à soberania nacional após EUA classificarem PCC e Comando Vermelho como terroristas. Por fim, sobre a transição na Colômbia: Petro liga para Lula e garante transição pacífica na Colômbia após crise eleitoral.
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