Brasileira denuncia agressão e confisco de documentos durante trabalho como au pair em Martinica

Uma brasileira denunciou ter sido vítima de agressão e de confisco de documentos pessoais durante o período em que trabalhava como au pair em Martinica, ilha do Caribe que é território ultramarino da França. Segundo o relato, o empregador teria retido o passaporte e o celular da jovem após um desentendimento, deixando-a em situação de isolamento e vulnerabilidade. O caso, que ocorreu em julho de 2025, foi divulgado pelo portal FrancesNews e reacende o alerta sobre as condições de trabalho de brasileiros no exterior, especialmente em programas de intercâmbio com baixa supervisão.

A vítima, cujo nome não foi divulgado, afirmou que a relação com a família contratante se deteriorou rapidamente após uma discussão sobre as tarefas domésticas e a carga horária. Ela relatou que, em seguida, o empregador a trancou no quarto e confiscou seus pertences, incluindo o passaporte e o celular, impedindo-a de pedir ajuda ou se comunicar com a embaixada brasileira. A jovem só conseguiu escapar após a intervenção de vizinhos, que ouviram os gritos e acionaram a polícia local.

O caso expõe uma realidade preocupante para dezenas de brasileiros que atuam como au pair em países como França, Estados Unidos e Reino Unido. Embora o programa seja regulamentado por acordos bilaterais e exija visto específico, denúncias de abusos, jornadas excessivas e retenção de documentos são recorrentes. Em Martinica, a situação é agravada pela distância geográfica e pela menor presença de consulados brasileiros na região do Caribe.

A Polícia da Martinica abriu inquérito para investigar as acusações de agressão e cárcere privado. O empregador, que não teve a identidade revelada, pode responder por crimes previstos no código penal francês, que prevê penas de até cinco anos de prisão para retenção de documentos de identificação alheios. A Embaixada do Brasil na França informou que presta assistência consular à vítima e acompanha o caso, mas não deu detalhes sobre o andamento das investigações.

O episódio também levanta questionamentos sobre a eficácia dos mecanismos de proteção a trabalhadores estrangeiros em territórios franceses ultramarinos. Organizações de defesa dos direitos humanos apontam que a falta de fiscalização e a dependência do empregador para a manutenção do visto tornam os au pairs especialmente vulneráveis a abusos. A recomendação é que os candidatos ao programa busquem agências credenciadas e exijam contratos claros, além de manterem contato regular com familiares e com a representação diplomática brasileira.

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