A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro negou, em vídeo divulgado nesta quarta-feira, que tenha uma “briga” com o senador Flávio Bolsonaro, após um áudio vazado no qual critica o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro. “Não tenho raiva”, afirmou Michelle, tentando conter a crise que expõe rachas profundos no clã político. O episódio ocorre em meio a um cenário de disputas internas e à iminência da inelegibilidade de Jair Bolsonaro, que pode ser julgado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nos próximos meses.
No vídeo, Michelle reconheceu que fez críticas a Flávio, mas as atribuiu a divergências políticas e pessoais, sem detalhar os motivos. A declaração pública, no entanto, não apagou o teor do áudio anterior, no qual a ex-primeira-dama acusava o senador de apoiar o ex-governador Ciro Gomes e de ter um comportamento “humilhante” em relação a ela. A crise no clã Bolsonaro, que já vinha sendo alimentada por desentendimentos sobre o futuro político da família, ganhou novos contornos com a exposição das tensões.
Panorama político e impacto
O episódio ocorre em um momento crítico para a direita brasileira. Jair Bolsonaro, inelegível até 2030 por decisão do TSE, tenta manter a base unida enquanto articula uma sucessão para 2026. A briga interna entre Michelle e Flávio, dois nomes cotados para herdar o eleitorado bolsonarista, fragiliza essa estratégia. Enquanto Michelle busca se consolidar como liderança independente, Flávio enfrenta investigações no Conselho de Ética do Senado e resistência de setores do partido Liberal (PL).
Aliados do ex-presidente, como o deputado Eduardo Bolsonaro, tentaram minimizar o conflito, mas analistas apontam que a disputa expõe a falta de um comando claro no grupo. A crise também afeta a imagem pública da família, que já lida com desgaste por denúncias de corrupção e ataques às instituições. Enquanto isso, o governo Lula (PT) aproveita o momento para reforçar a narrativa de que a oposição está dividida e incapaz de apresentar uma alternativa viável.
Apesar da negação de Michelle, o vídeo não apaga as acusações anteriores. O áudio vazado, que circulou em grupos de WhatsApp e redes sociais, mostrava a ex-primeira-dama afirmando que Flávio “não presta” e que ele teria articulado contra ela dentro do partido. A crise no clã Bolsonaro, portanto, vai além de uma simples briga familiar: reflete a luta pelo controle de um eleitorado de 58 milhões de votos e a sobrevivência política de um grupo que, sem Bolsonaro na cabeça de chapa, busca novos líderes.
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