Um homem de 59 anos, foragido da Justiça de Alagoas pelo crime de estupro de vulnerável, foi preso nesta quarta-feira (24) em Presidente Kennedy, no Sul do Espírito Santo, 17 anos após o delito ocorrido em 2009, na cidade de Murici (AL). O suspeito, cujo nome não foi divulgado pelas autoridades, foi localizado trabalhando em uma lavoura de cana-de-açúcar e estava foragido desde 2022, quando a Justiça alagoana expediu o mandado de prisão preventiva. A captura foi resultado de uma ação conjunta entre a Polícia Civil do Espírito Santo e a Secretaria de Estado de Justiça do Espírito Santo (Sejus/ES), a partir de levantamentos com produtores rurais da região.
Segundo a Polícia Civil, o homem era casado com uma mulher e mantinha relações sexuais com uma adolescente, vítima do crime. Após a denúncia, ele deixou Alagoas e percorreu uma rota de fuga que incluiu os estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Amazonas, antes de se estabelecer no Espírito Santo há cerca de seis anos. O delegado Daniel de Araújo, titular da Delegacia de Presidente Kennedy, informou que o foragido atuava como trabalhador rural e adotava medidas para dificultar sua identificação. “Ele morava em casas que não faziam contrato, só recebia pagamentos em dinheiro, coisas que não precisava cadastrar nem informar o nome dele. Ele estava morando de favor em um sítio que cuidava”, declarou o delegado.
Panorama político e social do caso
O caso expõe fragilidades no sistema de persecução penal quando há deslocamento interestadual de foragidos, especialmente em crimes sexuais contra vulneráveis. A demora de 17 anos entre o crime e a prisão reflete desafios na integração entre as polícias civis estaduais e na atualização de mandados de prisão. A ação conjunta no Espírito Santo, que envolveu a Sejus/ES e a Polícia Civil, demonstra a importância de parcerias institucionais para superar essas lacunas. O homem não possuía passagens pela polícia em Alagoas, o que sugere que o crime foi isolado, mas a gravidade da condenação — estupro de vulnerável — coloca em evidência a necessidade de políticas públicas mais eficazes de monitoramento de agressores sexuais, especialmente aqueles que mudam de estado e identidade.
No Espírito Santo, o foragido foi encaminhado ao Centro de Detenção Provisória da Serra, na Grande Vitória, unidade que abriga presos investigados por crimes sexuais. A prisão ocorre em um contexto de aumento da atenção da sociedade para a violência sexual contra crianças e adolescentes, tema que tem mobilizado campanhas nacionais e ações do Ministério Público. A operação também reforça o trabalho de inteligência policial no rastreamento de foragidos de longa data, que muitas vezes se valem de subempregos e de uma vida nômade para escapar da Justiça.
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